Com mais de 93% das operações do Fundo Geral de Turismo (Fungetur) no Tocantins direcionadas a micro e pequenas empresas em 2026, o Governo Federal busca consolidar a descentralização do crédito bancário no interior do estado. Em entrevista exclusiva ao T1 Notícias, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, analisou a maturidade e o equilíbrio do mercado tocantinense, reforçou o papel da gastronomia regional em pólos estratégicos para o turismo no estado como o Jalapão, Serras Gerais e Palmas, e destacou ações de inclusão social, como linhas de crédito especiais para mulheres microempreendedoras vítimas de violência.
Para empresários que desejam ter acesso ao fundo, o Cadastur é o passaporte de entrada. Estar cadastrado é um requisito legal, totalmente gratuito e feito 100% de forma digital pelo site do programa (www.cadastur.turismo.gov.br). Para os prestadores obrigatórios, dos setores de hospedagem, agências, transportadoras, parques e guias, a inscrição garante a regularidade do negócio. Para atividades facultativas, como bares e restaurantes, traz visibilidade e reconhecimento do governo federal. Para cadastrar são necessários apenas dados do CNPJ (ou CPF para guias) e a indicação das atividades exercidas. Além de habilitar o crédito, o Cadastur insere também o empreendedor no mapa oficial do turismo brasileiro.
Raio-x do crédito turístico no estado
O setor de turismo no Tocantins vive um marcador de estruturação e consolidação financeira. Dados oficiais indicam que, desde o início do atual governo federal, o estado somou R$ 8,09 milhões em 106 contratos firmados pelo Fungetur. Em 2026, já foram realizadas 47 operações de crédito, alcançando 15 municípios tocantinenses. Um aspecto central que chama a atenção na economia do estado é a destinação dos recursos: neste ano, 100% dos valores liberados para o Tocantins foram direcionados a capital de giro, sem registros de contratos para obras ou compra de equipamentos no período.
Segundo o ministro Gustavo Feliciano, essa dinâmica reflete um movimento consciente dos empresários locais para reorganizar o caixa e garantir fôlego financeiro antes de partirem para obras, aquisições e expansão de espaços físicos. “O direcionamento total para capital de giro indica que o setor turístico do Tocantins está em uma fase de consolidação e estruturação de caixa. O empresário usou esse recurso para reorganizar finanças, garantir estoque e honrar seus pagamentos. Agora que esses empreendedores estão com a casa organizada, nosso papel é mostrar que o Fungetur oferece ótimas condições também para investimentos estruturantes de longo prazo”, explicou.
O setor de bares, restaurantes e cafeterias lidera os financiamentos no Tocantins (correspondendo a 38,3%), seguido por agências de viagens e empresas de eventos. Para o Ministério do Turismo, esse fortalecimento da gastronomia e dos serviços da linha de frente é central para aprimorar a qualidade do atendimento dos destinos turísticos que já são consolidados no estado, como o ecoturismo do Jalapão, as paisagens das Serras Gerais e o turismo de praia, natureza e cachoeiras da Serra de Taquaruçu, em Palmas e na região.
“O turismo de natureza atrai o visitante, mas a boa refeição, o transporte seguro e o passeio bem guiado fazem esse viajante permanecer mais tempo no Estado, gastar mais na economia local e indicar o destino para outros brasileiros e estrangeiros”, destacou Feliciano.
Segundo o ministro, os índices de que no estado mais de 93% dos financiamentos do Fungetur em 2026 foram direcionados a micro e pequenas empresas, reafirma o sucesso da estratégia de descentralizar o crédito e aproximar o fundo de quem está na ponta. Gustavo ressaltou ainda, que é parte da estratégia seguir fortalecendo as parcerias com agentes financeiros e cooperativas de crédito no interior de todo o país, além de integrar ações com prefeituras e com a cadeia produtiva do turismo local. “O objetivo do Ministério é justamente fazer com que o pequeno empreendedor tenha chances de impulsionar seus negócios”, afirmou.
O ministro destacou ainda que o papel do Ministério é consolidar a atuação do Fungetur também na oferta de condições para o investimento estruturante, uma vez que esses empreendedores estão “com a casa organizada e o fluxo mantido”. Gustavo destacou que o fundo tem linhas com prazos de até 240 meses e carência de até cinco anos para obras, ampliações e reformas, além de 120 meses para aquisição de bens. “Com o caixa fortalecido pelo capital de giro, queremos encorajar esses mesmos empresários a expandir seus negócios”.
Com um orçamento superior a R$ 1 bilhão disponível pelo Fungetur para todo o país em 2026, as ações de fomento ao setor já somam 106 financiamentos e R$ 8,09 milhões injetados na economia do Tocantins desde o início do governo. O fundo oferece juros de até 5% ao ano acrescidos do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), limite de crédito de até R$ 15 milhões e prazos de carência amplos, enquanto foca, até o final do ano, na intensificação da divulgação e na realização de atendimentos técnicos junto a empreendedores, gestores públicos e representantes do trade para orientar sobre o acesso ao crédito.
Gustavo explicou ao T1 as estratégias de desburocratização do acesso ao crédito para guias de turismo e profissionais autônomos, uma vez que as exigências dos bancos tradicionais costumam afastar o pequeno profissional. Por isso, a atuação do fundo se dá diretamente junto às instituições financeiras operadoras para adequar os critérios de análise às especificidades dos pequenos negócios.
“Uma prova concreta de que o crédito está furando a bolha é que já registramos contratos firmados diretamente com guias de turismo e microempresas no estado. Além disso, a habilitação é vinculada ao Cadastur, o que funciona como um selo de legalidade. Realizamos também caravanas de crédito e orientações técnicas para que o guia autônomo e o microempresário saibam exatamente quais documentos apresentar, garantindo que o dinheiro do fundo chegue com rapidez a quem faz a roda do turismo girar na ponta”.
No Tocantins, o fundo atua em parceria com a Agência de Fomento do Estado do Tocantins (Fomento TO), que desempenha o papel de descentralizar os recursos para chegar aos municípios do interior. O crédito é operado pelo Basa (Banco da Amazônia) e pela Cresol Baser. Além da Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi e Banco Moneo. O interessado pode procurar diretamente alguma das agências dessas instituições com o comprovante de regularidade no Cadastur em mãos para realizar a avaliação de sua proposta.
O T1 questionou também sobre as estratégias e condições especiais que o Fungetur oferece para mulheres microempreendedoras vítimas de violência, uma vez que a autonomia financeira é uma ferramenta importante para romper ciclos de vulnerabilidade e violência. “O Ministério do Turismo estruturou condições diferenciadas do fundo para apoiar e proteger os negócios liderados por mulheres. Para microempreendedoras vítimas de violência doméstica ou de gênero, o Fundo prevê critérios facilitados de acesso ao crédito e prazos estendidos de carência, auxiliando a reestruturação e a manutenção dos negócios”, explicou.
Como acessar o Fungetur no Tocantins
Limite por projeto: até R$ 15 milhões
Taxa de Juros: até 5% ao ano + correção pelo INPC.
Prazos: até 240 meses (obras, construção e reforma) e até 120 meses (aquisição de bens e capital de giro).
Carência: até cinco anos, dependendo da finalidade.







