O milho foi o destaque entre os grãos negociados na bolsa de Chicago, com supervalorização em um dia marcado por dados sobre oferta e demanda e notícias sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. Nesta quarta-feira (12/8), os contratos para dezembro fecharam em alta de 4,40%, a US$ 4,8075 o bushel.
O mais recente relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) trouxe reflexos diretos para as cotações na bolsa. Ainda que o USDA tenha elevado a previsão de safra americana em 2026/27 para 406,75 milhões de toneladas, acima da previsão de analistas, que esperam um corte para 404,74 milhões de toneladas, a expectativa sobre a demanda de milho do país cresceu.
O departamento elevou em 2,3% a previsão mensal para as exportações de milho dos EUA, que devem alcançar 83,19 milhões de toneladas. Mesmo com uma maior produção esperada, esse incremento de demanda acabou impactando os estoques finais, cujo volume foi reduzido em 7,7% no mês de agosto, para 41,98 milhões de toneladas. Enquanto isso, analistas esperavam 43,82 milhões para as reservas de milho americanas.
Outro dado que mexeu com o mercado foram as previsões para a União Europeia, onde a expectativa de produção caiu de 53,78 milhões de toneladas para 50,20 milhões, elevando assim a necessidade de importação do bloco para 23,50 milhões de toneladas, um milhão a mais que o esperado em julho.
O milho também subiu devido a continuidade das ações militares no Mar Negro, com ataques ucranianos a portos russos interrompendo o fluxo de exportação pela via marítima.
“O fato de o Mar Negro ser impactado é muito relevante para Chicago, pois ele cria demanda maior por exportação dos EUA”, disse Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural.
Trigo
O receio com a diminuição da oferta de trigo cresceu após novos dados de produção, fazendo os preços subirem acentuadamente. Os lotes do cereal com entrega para setembro fecharam em alta de 3,57%, para US$ 6,5275 o bushel.
O trigo também respendeu às últimas atualizações do USDA sobre oferta e demanda. O órgão reduziu em 0,08% sua estimativa para a produção mundial de trigo na safra 2026/27 quando comparada ao relatório anterior, divulgado em julho, para 819,30 milhões de toneladas.
Um dos dados mais importantes para as cotações em Chicago são os da produção americana. O USDA reduziu em 0,36% sua estimativa para a colheita no país, que deve alcançar 41,66 milhões de toneladas, analistas esperam uma revisão para 41,56 milhões de toneladas.
O mercado também ficou apreensivo diante da expectativa de queda nas exportações globais. O USDA reduziu em 0,16% a previsão de embarques no mundo, para 212,71 milhões de toneladas. De acordo com o departamento, a queda é resultado dos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia no Mar Negro e de Azov, que está atrapalhando o escoamento de grãos pela rota.
Os ataques também trouxeram reflexos para a exportação da Rússia, principal fornecedora de trigo do mundo. Com isso, o departamento cortou em 3,2% a previsão dos embarques do país no ciclo 2026/27, para 46 milhões de toneladas.
O quadro para as exportações russas se mostra cada vez mais desfavorável para os compradores. De acordo com a SovEcon, o país deve embarcar entre 3 milhões e 3,4 milhões de toneladas de trigo em agosto, uma queda em relação aos 4,5 milhões de toneladas do ano anterior.
Se confirmado, esse pode ser o menor volume para um mês de agosto desde a temporada 2016/17, quando a Rússia exportou 3,1 milhões de toneladas.
Soja
A soja também registrou preços, mesmo com indicação de aumento na oferta. Os lotes para novembro fecharam em alta de 1,24%, a US$ 11,8325 o bushel.
O Departamento de Agricultura dos EUA elevou em 1% a previsão mensal para a colheita de soja no país, a 122,99 milhões de toneladas. Na aposta de analistas de mercado, feita antes da divulgação do relatório, o USDA cortaria a projeção para 121,74 milhões de toneladas. Segundo o órgão, esse incremento foi puxado pelo aumento da área.
A previsão para os embarques americanos permaneceram 45,18 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais no país foram ajustados para 8,71 milhões de toneladas, ou 3,2% a mais que em julho.
Para Ronaldo Fernandes, da Royal Rural, a soja pegou “carona” na alta dos cereais, uma vez que as previsões do USDA tem força de baixa para a oleaginosa no mercado internacional, especialmente com a previsão de uma safra recorde nos EUA.
“Talvez o mercado não esteja com muita crença no relatório deste mês, pois ele aparentemente não considerou os acordos dos EUA com a China. Mas esse número de produção é justificável sim, pois sempre quando o índice de lavouras em boas e excelentes condições está acima de 60%, podemos esperar o teto produtivo”, detalhou.







