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Home Política

Michelle deixa comando do PL Mulher com saldo de 72 mil filiações

Com Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher, partido deu guinada na frente feminina e elegeu 995 mulheres nas eleições de 2024

por Metrópoles
03/07/2026
em Política
Tempo de leitura: 7 minutos
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Hugo Barreto/Metrópoles

Hugo Barreto/Metrópoles

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Mais de 72 mil mulheres se filiaram ao Partido Liberal (PL) durante o período em que Michelle Bolsonaro comandou o PL Mulher. A ex-primeira-dama assumiu a presidência do braço feminino da legenda em 2023 e passou a concentrar esforços na ampliação da participação feminina na sigla, tanto em filiações quanto em candidaturas.

Dados obtidos pelo Metrópoles mostram que o PL encerrou 2025 com 397 mil mulheres filiadas. Desse total, aproximadamente 72 mil ingressaram no partido entre março de 2023 e maio de 2026.

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Além do crescimento no número de filiadas, o PL ampliou a presença feminina nas urnas. Segundo levantamento obtido pela reportagem, 1.005 mulheres foram eleitas pela sigla nas eleições municipais de 2024. Após a conclusão do processo eleitoral, 995 permaneceram nos cargos: 849 vereadoras, 85 vice-prefeitas e 61 prefeitas.

Entre as prefeitas eleitas, Emilia Correia (PL) ganhou destaque ao vencer a disputa pela Prefeitura de Aracaju (SE). Ao lado de Adriane Lopes (PP), reeleita em Campo Grande (MT), foi uma das duas únicas mulheres eleitas para comandar capitais brasileiras em 2024. Emília e Adriane são consideradas lideranças do campo conservador nesses estados.

Os resultados são atribuídos, por dirigentes do partido, ao trabalho desenvolvido por Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher. A ex-primeira-dama percorreu estados e municípios para fortalecer lideranças femininas e costuma destacar que estruturou diretórios do movimento nos 26 estados e no Distrito Federal.

A evolução também aparece na comparação com as eleições municipais de 2020, quando nem Michelle nem Jair Bolsonaro integravam o PL. Naquele ano, a legenda elegeu 693 mulheres: 588 vereadoras, 60 vice-prefeitas e 45 prefeitas. Entre os dois pleitos, o número de eleitas cresceu quase 44%.

Conforme apurou o Metrópoles com integrantes da sigla, esse desempenho foi um dos fatores que levaram o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a tentar convencer Michelle a permanecer no comando do PL Mulher.


Michelle Bolsonaro e o PL

  • Michelle Bolsonaro assumiu a presidência do PL Mulher em 2023 e passou a liderar a atuação da ala feminina do partido em diferentes frentes, com foco na ampliação da participação de mulheres nas estruturas estaduais e municipais da legenda.
  • Nesta semana, em meio a desgastes com o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é senador e candidato à Presidência da República, Michelle deixou o comando do PL Mulher, expondo novo foco de tensão interna no partido.
  • O rompimento também representa desafio para a campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Pesquisas de intenção de voto têm mostrado dificuldade do senador em ampliar seu apoio entre o eleitorado feminino.
  • Nesse contexto, o distanciamento de Michelle Bolsonaro — considerada uma das principais lideranças femininas do campo conservador — pode enfraquecer os esforços do parlamentar para ampliar sua interlocução com as mulheres e consolidar apoio dentro da própria base bolsonarista.

Além da obrigatoriedade legal de destinar ao menos 30% dos recursos públicos de campanha às candidaturas femininas, dirigentes avaliam que a ex-primeira-dama teve papel decisivo na ampliação da presença de mulheres no partido e consolidou influência junto ao eleitorado feminino e evangélico.

Michelle, porém, renunciou à presidência do PL Mulher na última terça-feira (30/6), após conversa com Valdemar. Segundo pessoas ligadas ao partido, o dirigente decidiu extinguir o cargo de presidente nacional do braço feminino sob o argumento de que seria difícil encontrar alguém “à altura” da ex-primeira-dama.

Crise com Flávio

A saída de Michelle ocorreu em meio à crise pública entre ela e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República. Na carta de despedida, a ex-primeira-dama fez menção justamente ao desempenho de sua gestão.

Segundo pessoas próximas à família Bolsonaro, porém, a relação entre Michelle e os filhos do ex-presidente é marcada por atritos há anos.

Integrantes do entorno bolsonarista afirmam que o desgaste se intensificou após a primeira prisão de Jair Bolsonaro, em agosto de 2025, e ganhou novo impulso em dezembro, quando Flávio foi anunciado como herdeiro político do pai e pré-candidato do grupo ao Palácio do Planalto.

Desde então, os episódios de desentendimentos e as trocas de “indiretas” entre Michelle e os filhos do ex-presidente se tornaram frequentes.

A divisão passou a preocupar dirigentes do PL, que consideram a unidade do campo bolsonarista essencial para a campanha ao Planalto. Nos últimos dias, o capital político de Michelle também passou a ser alvo de questionamentos após ela tornar públicas divergências com os enteados, especialmente com Flávio.

Em vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado. Michelle atribuiu o rompimento às divergências sobre a estratégia do PL no Ceará, especialmente em relação ao apoio do partido à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. Ela também relatou ter passado a ser alvo de “fogo amigo”.

Aliados da ex-primeira-dama afirmam que os resultados obtidos à frente do PL Mulher reforçam que ela possui capital político próprio, independentemente do apoio da família Bolsonaro. Antes da escolha de Flávio como pré-candidato ao Planalto, Michelle figurava entre os principais nomes cogitados para disputar a Presidência, hipótese descartada repetidas vezes pelo próprio marido.

Ela também era tratada como uma das principais apostas do PL para disputar vaga no Senado pelo Distrito Federal, onde construiu sua trajetória política. Na conversa com Valdemar, contudo, ela indicou que poderá desistir da candidatura, deixando a decisão em aberto.

Eleitorado feminino

Nos bastidores da campanha de Flávio, há divergências sobre os efeitos da crise. Uma ala avalia que o episódio ainda não provocou impactos relevantes nas pesquisas de intenção de voto. Outra, porém, considera que o conflito amplia a desconfiança de parte do eleitorado.

Valdemar tem dito a aliados que, sem Michelle, Flávio pode enfrentar ainda mais dificuldades para conquistar votos entre as mulheres.

Apesar dos desentendimentos, o próprio Flávio Bolsonaro reconhece a atuação da madrasta. Em encontro com lideranças femininas da direita, realizado na quarta-feira (1º/7), o senador fez gestos de aproximação e afirmou que o “trabalho dela” contribuiu para despertar o interesse de mais mulheres pela política.

O eleitorado feminino é considerado um dos principais desafios da pré-campanha do senador.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho mostra Flávio com 24% das intenções de voto entre mulheres, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Levantamento do Datafolha aponta cenário semelhante: Lula aparece com 44% das intenções de voto entre as eleitoras, enquanto Flávio registra 26%.

Aliados defendem que o senador evite novos confrontos públicos com Michelle e permita que a crise perca força. A estratégia também inclui novos gestos ao eleitorado feminino, como o lançamento de um conjunto de propostas voltadas às mulheres e a possibilidade de escolher uma mulher para compor a chapa como candidata a vice-presidente.

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