O fim de ano se aproxima e, junto, vem o costume popular de estipular metas para uma nova fase da vida. Entre os desejos mais comuns das mulheres para 2026 está a mudança dos hábitos de vida para um modelo mais saudável. Três em cada quatro brasileiras dizem querer comer melhor no ano que vem e praticar mais exercícios.
O número de mulheres que promete incluir os exercícios como prioridade número um ultrapassou o das que querem melhorar a alimentação. Das 300 entrevistadas on-line pela Vhita, uma empresa de suplementos alimentares, 79% responderam que no próximo ano o foco estará em fazer atividades físicas, frente às 72,2% que querem melhorar a alimentação e às 71,5% que querem melhorar a saúde mental.
As mudanças de hábitos que foram almejadas em 2025 foram levemente diferentes. No ano passado, as mulheres buscavam mais melhorar a alimentação (75,4%); praticar atividades físicas regularmente estava bem abaixo na lista (70,2%). Para a nutricionista Bárbara Cino, responsável pela pesquisa, a coincidência geral de prioridades de 2025 com as que estão sendo projetadas para 2026 não é uma surpresa.
“O fato de os exercícios físicos e mudanças na alimentação reaparecerem entre as principais metas das entrevistadas nos sugere dois pontos relevantes. De um lado, como o público feminino tem consciência de que manter uma vida ativa deve ser uma constante, mas de outro, como muitas mulheres provavelmente não conseguiram colocar em prática essa rotina em 2025, o que explicaria a preocupação em correr atrás desse objetivo mais uma vez em 2026”, explica.
Sono e saúde mental
Uma mudança no comparativo foi de que dormir melhor era o terceiro item na lista (69%) em 2025 e, embora ele tenha tido um crescimento nas preocupações, entrando na lista de 71,1% das entrevistadas em 2026, ele perdeu sua posição no pódio, superado pelo cuidado com a saúde mental.
Nos desejos para 2026, cuidar da saúde mental ficou no terceiro lugar da lista, foco das preocupações de 71,5% das voluntárias. O número representa um salto de 5,5 pontos percentuais em relação aos 64% que marcavam essa alternativa como prioridade em 2025.
Soma-se a isso o desejo de 61% das participantes de equilibrar melhor vida pessoal e trabalho no próximo ano, afirmativa que foi assinalada por 56,9% como prioridade de 2025. Todas as entrevistadas são maiores de 18 anos e o intervalo de confiança da pesquisa foi de 3%.
“Em um contexto no qual enfrentamos excesso de trabalho, estímulo e informação, parece estar cada vez mais claro como manter uma boa rotina de sono é essencial para a própria saúde mental — algo do qual as mulheres ouvidas no estudo têm consciência. Talvez por isso ambas as metas apareçam tão próximas uma da outra entre as entrevistadas, revelando um cenário de preocupação geral com o equilíbrio emocional, bem-estar e relaxamento do corpo e mente em 2026″, indica Bárbara.
Prioridades na mudança da dieta
Entre as pessoas que buscam melhorar a alimentação, o estudo indicou prioridades de mudanças: evitar frituras e alimentos industrializados (65%), beber mais água ao longo do dia (62%) e reduzir o consumo de açúcar (61%) foram os mais frequentemente apontados.
Aumentar a ingestão de frutas, de proteínas e ter horários regulares para as refeições também pontuaram bem, todos acima da velha máxima de reduzir a quantidade de comida ou calorias, indicada por apenas 44% das respondentes.
Cuidado com o excesso de planos
Apesar do frequente hábito de se estabelecer metas de fim de ano, especialistas indicam que ele deve ser tratado com cuidado para não gerar sofrimento pelas metas que não são cumpridas, fruto de expectativas exageradas ou comparações com padrões irreais de sucesso. Nesse sentido, inclusive, chama atenção que as mulheres ouvidas na pesquisa tenham marcado como maiores inspirações de bem-estar e autocuidado as influenciadoras Virgínia Fonseca, Carol Borba e Gabriela Pugliesi, conhecidas por uma dedicação quase integral a seus corpos.
“A falta de autoconhecimento e as expectativas depositadas nos outros alimentam a autocobrança e levam à criação de metas desequilibradas. Repetidas frustrações com objetivos inalcançáveis geram decepção e insegurança, e a chegada de um novo ciclo acaba reforçando memórias negativas e seus significados”, destaca a psiquiatra Yaskara Luersen, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
A pesquisa traz um indicador de como esta comparação com padrões longínquos da web pode gerar sofrimento psíquico. Em 2025, diminuir o tempo de tela estava na lista de prioridades de apenas 32,5% das mulheres. Para 2026, reduzir o uso de redes sociais é uma prioridade para 45,2% delas, um dos maiores saltos comparativos.
“Trabalhar o autoconhecimento e o autodesenvolvimento é fundamental para lidar com esse período. Cada pessoa deve buscar significados alinhados aos próprios valores, construindo relações profundas e duradouras dentro e fora da família”, conclui a médica.







