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Home Saúde

Marca-passo neural reduz sintomas da depressão resistente, diz estudo

por Metrópoles
20/03/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 3 minutos
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kieferpix/Getty Images

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Pessoas que têm depressão resistente ao tratamento estão mais perto de encontrar uma nova forma complementar de terapia. O uso experimental de um implante em nervos do pescoço, que funciona de modo semelhante ao marca-passo cardíaco, foi associado a uma melhora nos sintomas e a um tempo mais duradouro sem crises para pacientes com quadro depressivo crônico.

A conclusão é de uma investigação publicada em janeiro no International Journal of Neuropsychopharmacology. A pesquisa acompanhou 214 pacientes adultos, com depressão de moderada a grave, que já tinham feito ao menos quatro tentativas de uso de antidepressivos sem melhora significativa dos sintomas. Alguns já conviviam com a condição havia mais de 17 anos. Eles usaram o equipamento ao longo de 12 meses e depois foram acompanhados pelo mesmo período.

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A pesquisa usou o estimulador do nervo vago (VNS, na sigla em inglês), que é um tratamento reconhecido para a epilepsia resistente. O implante é cirurgicamente colocado sob a pele, no lado esquerdo do peito, e conectado com nervos no pescoço. No estudo, o equipamento se mostrou eficaz também contra a depressão, já que houve uma redução dos episódios de crise em 80% dos casos. O número de pacientes que relataram melhoras dos sintomas, inclusive, subiu no acompanhamento feito ao final da pesquisa, mostrando que os resultados podem ser até mais positivos em acompanhamentos mais longos.Play Video

Cerca de 35% daqueles que não haviam observado benefícios ao longo do primeiro ano da pesquisa relataram melhoras ao final da análise. Isso porque o efeito do VNS é gradual e observável apenas de três a seis meses após a implantação do dispositivo, mas com a vantagem de ser progressivo ao longo do tempo.

“A estimulação neural é um dos mais novos arsenais para lidarmos com esses quadros de depressão resistente ao tratamento”, afirma o psiquiatra Alfredo Maluf, do Einstein Hospital Israelita. “Mas é importante ressaltar que o VNS é um tratamento adjuvante. A gente não deixa de manter a pessoa com as medicações antidepressivas necessárias.”

Nervo vago e depressão

O nervo vago faz parte do chamado sistema nervoso parassimpático, que funciona sem o pensamento consciente e controla órgãos como coração, pulmão e intestino. Também tem papel essencial na modulação de hormônios que impactam diretamente no quadro depressivo. “Ele atua regulando neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, fundamentais na regulação do humor. Com isso, influencia redes cerebrais envolvidas na resposta ao estresse, na motivação e na percepção emocional”, explica a neurologista Gisele Sampaio Silva, líder de pesquisa clínica em Neurologia no Einstein.

Estudos mostram que o VNS pode reduzir a hiperatividade do cérebro em áreas associadas ao pensamento acelerado e aumentar a conectividade em regiões relacionadas ao controle emocional. “Essa modulação pode ajudar a reorganizar circuitos que estão desregulados na depressão crônica, promovendo melhora gradual dos sintomas. Ou seja, não estimula felicidade, mas ajuda a reequilibrar circuitos disfuncionais”, detalha Silva.

Para pacientes com depressão resistente ao tratamento, esse efeito potencializa os benefícios dos medicamentos e das demais terapias. Isso é importante porque pessoas com essa resistência costumam ser aquelas com crises recorrentes e sintomas mais graves, como tristeza extrema e alterações severas de apetite e sono.

“O quadro clínico nesses casos é principalmente a falta de prazer, humor deprimido ou tristeza constante que a pessoa vivencia ao longo dos dias, além de desânimo, perda de força, pensamento lentificado, ideias de ruína e culpa, chegando às vezes a delírios e ideação suicida”, relata Maluf. “É um quadro muito grave que demanda abordagem imediata.”

Além do tratamento com antidepressivos e de técnicas experimentais como o VNS, a abordagem terapêutica contra a depressão resistente também passa por medidas como o suporte em psicoterapia e o estímulo a atividade física.

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