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Home Agricultura e Pecuária

Mais de 70% das áreas desmatadas na Amazônia têm baixo potencial agrícola

Levantamento mapeou 5,7 milhões de hectares de vegetação na região amazônica

por Globo Rural
29/03/2025
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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Mais de 90% dos desmatamentos realizados no bioma amazônico são feitos de maneira ilegal — Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Mais de 90% dos desmatamentos realizados no bioma amazônico são feitos de maneira ilegal — Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

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Cerca de 71% das áreas com vegetação secundária da Amazônia, ou seja, que já foram desmatadas, têm baixo potencial para produção agrícola. Isso significa que o desmatamento não deveria ter acontecido, uma vez que a aptidão natural dessas áreas é para floresta.

A avaliação faz parte de um estudo do projeto Amazônia 2030, iniciativa conjunta do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e do Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

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Com base em dados de 2023, o levantamento mapeou 5,7 milhões de hectares de vegetação secundária com idade mínima de seis anos no bioma Amazônia. Desse total, 4,04 milhões de hectares estavam em áreas de baixo potencial agrícola, representando 71% do total.

Os outros 1,7 milhão de hectares (29%) estavam em áreas de alto potencial para produção de grãos.

Se por um lado há cerca de 4 milhões de hectares em áreas sem aptidão para agricultura, por outro, essas mesmas áreas são ativos com potenciais importantes para restauração florestal, diz Paulo Amaral, pesquisador associado do Imazon e um dos autores do estudo.

“A vegetação secundária é a forma mais barata de restauração florestal na Amazônia e no Brasil”, enfatiza o especialista, uma vez que as áreas possuem viabilidade natural para floresta.

Os Estados do Pará (1,88 milhão de hectares), Amazonas (612 mil hectares) e Mato Grosso (606 mil hectares) tinham, em 2023, as maiores áreas de vegetação secundária com baixo potencial agrícola. O restante (936 mil hectares) estava disperso entre o Acre, Amapá, Maranhão, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Elas estão em imóveis privados do Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) (29%), áreas públicas não destinadas (16%), áreas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) (15%) e assentamentos rurais (15%).

Desmatamento e restauração

Amaral explica que, historicamente, mais de 90% dos desmatamentos realizados no bioma amazônico são feitos de maneira ilegal.

“Primeiro vem a ocupação. Você abre a área e depois começa um processo de produção, sem ordenamento, sempre mais do que o permitido”, afirma.

“Quando vem a produção, veem que nem toda aquela área dá a resposta que se espera”, acrescenta.

Então, por decisões econômicas, essas áreas de baixo potencial agrícola acabam abandonadas porque não estavam dando retorno e cresce a vegetação secundária ou pastagem degradada. “Ela não volta a ser uma floresta sozinha, mas inicia um processo natural de restauração”.

O pesquisador do Imazon ressalta que a ideia do estudo é justamente identificar essas áreas que podem ser restauradas e fazer com que esses dados sejam subsídios para a construção de políticas públicas.

“Vamos apresentar ao Serviço Florestal Brasileiro, do Ministério do Meio Ambiente”, afirma.

Como a maior parte das áreas está no Pará, a expectativa é que também venham políticas de restauração florestal a partir da Conferência do Clima (COP) 30, que será realizada no Estado em novembro.

O levantamento sugere que a vegetação secundária da Amazônia passe a ter um sistema de monitoramento contínuo e que sejam priorizadas tais áreas, que não competem com a produção agrícola, na regularização ambiental.

“Podem incluir essas áreas em programas de recuperação ambiental, para passar a ser um ativo florestal no CAR, por exemplo”, diz Amaral.

Sem vegetação secundária

O estudo identificou que ainda há 29,7 milhões de hectares de áreas desmatadas com baixa aptidão para a produção de grãos, mas sem cobertura de vegetação secundária.

Para o pesquisador do Imazon, são áreas que também poderiam ser destinadas à restauração florestal por meio da estratégia de condução da regeneração natural, um tipo de restauro sem intervenção humana direta.

Essas áreas estão em imóveis privados no Sistema de Gestão Fundiária (25,3%), assentamentos rurais (23,9%), áreas públicas não destinadas (15,7%) e áreas com Cadastro Ambiental Rural (15,2%) e “representam uma grande oportunidade para a restauração florestal em larga escala e com baixo custo”, destaca Amaral.

Metodologia

Para fazer a análise, segundo o pesquisador, foram sobrepostos um conjunto de dados espaciais, principalmente o mapa de vegetação secundária do bioma Amazônia elaborado pelo Imazon e o mapa de potencial agrícola. Houve também visitas a campo.

Por meio do Sistema FloreSer, foram avaliados mapas de uso e cobertura da terra. Além disso, foi realizada uma análise da perda de vegetação secundária, avaliando sua relação com as queimadas.

“Para isso, sobrepusemos o mapa de vegetação secundária com o mapa de cicatrizes de fogo do MapBiomas”, afirma.

Ainda houve a checagem da destinação das áreas de vegetação secundária que foram perdidas ou suprimidas no período de 2019 a 2023. “Para essa análise, combinamos o mapa de vegetação secundária com mapas de dados de uso e cobertura da terra”, completa.

O projeto Amazônia 2030 conta com a parceria da Climate Policy Initiative (CPI) e o Departamento de Economia da PUC-Rio, com a condução de pesquisadores brasileiros focados no desenvolvimento de ações para a Amazônia.

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