A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Extraordinária da Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), promoveu, nesta quinta-feira, 23, a roda de conversa ‘Mulheres, Diversidade e Direitos: construindo futuros para todas’, reunindo representantes do poder público, movimentos sociais e da sociedade civil para discutir o enfrentamento à violência contra a mulher e fortalecer o diálogo sobre a garantia de direitos. O encontro integrou a programação do Julho das Pretas, movimento de reflexões e ações alusivas ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
Durante o encontro, os participantes compartilharam experiências e debateram desafios relacionados não apenas à violência contra a mulher, mas também ao racismo, à desigualdade de gênero e aos impactos dessas questões na vida das mulheres negras. O debate teve como foco a ampliação da rede de proteção, o acesso aos direitos e o fortalecimento das políticas públicas desenvolvidas no município.
Além de representantes da Prefeitura de Palmas, participaram da roda de conversa integrantes do governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Igualdade Racial do Tocantins (Seir), da Defensoria Pública do Tocantins, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO), da Casa da Mulher Brasileira (CMB-Palmas) e da Guarda Metropolitana de Palmas (GMP). O evento também contou com a participação do Grupo de Pesquisa Igualdade Étnico-Racial e Educação (IERÊ-UFT) e da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro-TO), representando os movimentos organizados da sociedade civil.
Escuta ativa
Para o secretário extraordinário da Igualdade Racial e Direitos Humanos, Joelson Soares, a escuta qualificada da população é um elemento fundamental para a construção de políticas públicas mais efetivas. “Acreditamos que a representatividade de todos os segmentos é essencial, e o diferencial desta gestão é a prática da escuta ativa. Somente a partir desse diálogo direto com o público feminino, a partir também desse recorte com as mulheres negras, poderemos identificar as demandas reais e construir políticas públicas eficazes e contínuas”, declarou.
A diretora de Políticas para Proteção da Cultura Afro-Brasileira e Promoção da Igualdade Racial da Seirdh, Val Brandão, explicou que a proposta é transformar o diálogo em uma agenda permanente de construção coletiva. “A intenção é que a Secretaria vá além da celebração da data e estruture ações contínuas. Iniciamos a construção dessa iniciativa em parceria e diálogo com um grupo de trabalho, junto com outros movimentos femininos e de direitos humanos, e nessas conversas percebemos que o tema da violência contra a mulher, por ser recorrente e urgente, era uma prioridade imediata para esta primeira reunião.”
O titular da pasta chamou a atenção, ainda, para a importância da participação masculina nas discussões sobre igualdade de gênero e enfrentamento à violência. “Os homens estão na raiz dos problemas que atingem as mulheres, seja a violência, sejam outros resultados práticos da desigualdade, portanto, é fundamental que o público masculino esteja presente para ouvir, compreender as dores e refletir sobre o seu papel na sociedade. Acreditamos que, quando os homens se engajam na escuta e na reflexão, iniciamos um processo efetivo de mudança cultural e transformação social”, argumentou Joelson.
Construção coletiva
A secretária municipal da Mulher, Chayla Felix, esteve presente com sua equipe no evento e destacou que o enfrentamento às desigualdades exige a atuação conjunta de diferentes instituições e segmentos da sociedade. “Esse diálogo é importante para buscar a transversalidade na resolução dos problemas. É fundamental que outros órgãos do poder público, outros setores da sociedade, também participem, ouçam e se responsabilizem juntos. A mulher, especialmente a mulher preta, está na base da sociedade, está na agricultura familiar, no comércio, na cidade, nos quilombos, nos serviços essenciais. Nossa missão na Prefeitura é potencializar esse diálogo de forma ativa, conectar e provocar todos que possam contribuir com melhorias na vida das mulheres, pois não se alteram estruturas sociais sem a participação de todos”, declarou Chayla.
A presidenta estadual da Unegro-TO, Deyze dos Anjos, ressaltou que o encontro representa uma oportunidade para transformar demandas históricas em políticas públicas. “A importância desse evento, nessa data, primeiramente é que se trata de uma demanda histórica do movimento de mulheres negras. Porque os dados evidenciam: somos nós, mulheres negras, que recebemos menos, os nossos índices de escolaridade ainda são os menores, o índice de evasão das escolas também, o índice de quem engravida na adolescência, são as meninas pretas e pobres de periferia também. É importante que o Município direcione a pauta não para ser um evento festivo, comemorativo, mas de reflexão, pensando na promoção de políticas públicas e resolução de problemas desse público específico”, concluiu Deyze.







