Moinhos de trigo avaliam que o preço da farinha deve aumentar. A alta nos preços do cereal e de outros custos da cadeia produtiva, em parte relacionados à guerra no Oriente Médio, tende a levar o setor a rever suas contas.
Em comunicado, o Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo) informa que as cotações do trigo estão em tendência de alta tanto no mercado internacional quanto no doméstico. Na bolsa de Chicago, o cereal se valorizou de 3,4% a 4% no período de um mês, a depender do contrato.
“O trigo na Bolsa de Chicago já vinha refletindo informes de problemas climáticos (seca) nas lavouras americanas. No cenário global, há sinalização de queda de produção na safra mundial de 2026/2027. A safra argentina 2025/26, com recorde de 29,5 milhões de toneladas, tem qualidade inferior, preocupando moinhos brasileiros”, informa a entidade.
No Brasil, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base no Paraná, acumula alta de 8,51% na parcial do mês. Na segunda-feira (30/3), a referência foi de R$ 1,278 mil a tonelada. No Rio Grande do Sul, o Cepea registra aumento de 4,72% no período, com a tonelada cotada a R$ 1,150 mil na segunda-feira.
Para Max Piermartiri, presidente do Sindustrigo, os preços da farinha devem subir já em abril, impulsionados também pelo aumento do frete e da carga tributária.
Rubens Barbosa, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), segue a mesma linha de raciocínio. Ele avalia que há uma combinação de pressões que não se limitam a guerra. Entre os principais pontos, no entanto, está o aumento do frete no mercado interno, consequência do encarecimento do óleo diesel para.
“A produção precisa ser escoada até os moinhos, e o custo do transporte nacional subiu”, indica.
No comércio exterior, o frete marítimo também apresenta forte elevação, especialmente nas rotas com a Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil. De acordo com Barbosa, as altas no podem variar entre 50% e 100%.
Além de inflacionar o preço dos combustíveis, o conflito também compromete a disponibilidade de fertilizantes no mercado, indica Piermartiri, do Sindustrigo.
“Este fator pode agravar a disponibilidade futura de trigo em São Paulo, já que há sinalização de decréscimo na safra 26/27”.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área do trigo no Brasil deve ter redução de 5,2% em 2025, para 2,3 milhões de hectares.
“Guerra fiscal”
O presidente do Sindustrigo afirma ainda que há um cenário de “guerra fiscal” na cadeia produtiva do trigo. Ele critica a entrada em vigor da Lei Complementar 224/2025, que reduz o crédito presumido e aumenta a cobrança de Pis e Cofins sobre o trigo importado. Em sua visão, a medida aumenta os custos de aquisição da matéria-prima pela indústria.
“Levamos as demandas ao governo de São Paulo em busca de um diálogo que possa equilibrar a competição entre os estados e preservar a competitividade da indústria de trigo paulista”, diz. “A estabilidade da cadeia do trigo depende de políticas públicas alinhadas e de uma visão de longo prazo para o setor”, acrescenta.
Barbosa, da Abitrigo, acrescenta que a cobrança do ICMS sobre a importação de trigo agrava é outro fator de elevação de custos para a indústria moageira. “A cobrança do imposto para um país que não é autossuficiente na produção do trigo apenas eleva os preço”, alerta.






