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Home Saúde

HPV: 80% das pessoas terão contato com o vírus. Saiba como prevenir

Metrópoles por Metrópoles
04/03/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 6 minutos
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Foto: Kateryna Kon/Science Photo Library/Gettyimages

Foto: Kateryna Kon/Science Photo Library/Gettyimages

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O papilomavírus humano (HPV) é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população sexualmente ativa será infectada pelo HPV em algum momento da vida.

No Brasil, os números reforçam o tamanho da exposição. Os dados mais recentes do Estudo POP-Brasil mostram que 53,6% dos homens e mulheres de 16 a 25 anos têm algum tipo de HPV. Entre eles, 35,2% apresentam subtipos de alto risco para câncer e 31% têm mais de um tipo do vírus ao mesmo tempo.

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Embora a maioria das infecções seja eliminada espontaneamente pelo organismo, o HPV está por trás de praticamente todos os casos de câncer do colo do útero — 99,7% deles estão associados ao vírus.Play Video

O que é o HPV e por que ele é tão comum?

Segundo o Ministério da Saúde, o HPV é um vírus que infecta pele e mucosas e pode causar desde verrugas genitais até diversos tipos de câncer. Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo cerca de 14 classificados como de alto risco oncogênico.

A transmissão ocorre principalmente por contato sexual — vaginal, anal ou oral — e o vírus pode permanecer latente por meses ou anos, sem provocar sintomas. Essa característica ajuda a explicar sua ampla disseminação.

De acordo com o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), basta iniciar a vida sexual que a maioria dos jovens acaba tendo exposição a algum tipo de HPV. “Temos que vacinar precocemente também por isso, ele é muito frequente”, alerta.


Quem pode se vacinar pelo Sistema Único de Saúde (SUS)

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Pacientes oncológicos com até 45 anos;
  • Pessoas vivendo com HIV/aids até 45 anos;
  • Pacientes transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea até 45 anos;
  • Pessoas de 15 a 45 anos usuárias de PrEP;
  • Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos.

Por que nem todo mundo desenvolve câncer?

Apesar da alta taxa de exposição, a maioria das pessoas não terá complicações graves. O ginecologista oncológico Alexandre Pupo Nogueira, de São Paulo, explica que o sistema imunológico costuma dar conta da infecção.

“Em torno de 90% dos casos, o nosso próprio organismo, através do sistema imunológico, reconhece o vírus e o elimina espontaneamente. Nós falamos em medicina que há um clareamento do vírus”, ensina.

O corpo leva, em média, de um a dois anos para eliminar o HPV. O câncer surge apenas quando a infecção se torna persistente, especialmente por subtipos de alto risco como o 16 e o 18.

“Apenas quando esse vírus consegue escapar do nosso sistema imune e se perpetuar no corpo é que, após anos, ele pode alterar as células do colo do útero”, afirma o especialista. Essa evolução costuma ser lenta, o que permite rastreamento e tratamento antes que o câncer se instale.

HPV x câncer do colo do útero

Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão diagnosticados 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026-2028. Trata-se do terceiro câncer mais comum entre mulheres no país, excluídos os tumores de pele não melanoma. Além do colo do útero, o HPV também está relacionado a:

  • 90% dos cânceres de ânus;
  • 80% dos cânceres de vagina;
  • Mais de 50% dos cânceres de pênis;
  • Cerca de 50% dos cânceres de vulva;
  • Aproximadamente 35% dos cânceres de orofaringe.

Para Nogueira, o desafio não é falta de solução, mas dificuldade de acesso: “Existe, inclusive, um programa mundial de erradicação do câncer de colo uterino através da vacinação e exames de rastreio. Mas a gente esbarra em desafios práticos da saúde pública, em especial em um país continental e desigual como o Brasil.”

O Ministério da Saúde destaca que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra o HPV. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos e outros grupos de risco.

O Brasil adotou o esquema de dose única nessa faixa etária, estratégia que busca ampliar a cobertura vacinal. “O que se observou é que vacinar antes da exposição ao vírus traz o melhor resultado”, reforça Kfouri.

A vacina quadrivalente disponível no SUS protege contra os tipos 6 e 11 — responsáveis por até 90% das verrugas genitais — e contra os tipos 16 e 18, ligados à maioria dos casos de câncer do colo do útero.

De acordo com o órgão, a vacinação contra o HPV no Brasil já reduziu 58% dos casos de câncer do colo do útero e 67% das lesões pré-cancerosas de alto risco (NIC 3) entre mulheres de 20 a 24 anos.

Os especialistas reforçam que a prevenção não termina na vacina. Também é recomendado o rastreamento a partir dos 25 anos. O SUS vem ampliando o uso do teste de DNA do HPV, mais sensível que o exame tradicional de Papanicolau.

Mesmo mulheres vacinadas devem manter acompanhamento periódico. “Próximo de zero não é zero. O acompanhamento deve seguir”, alerta Nogueira.

Como eliminar o HPV

Como 99,7% dos casos de câncer do colo do útero estão associados ao HPV, profissionais da saúde afirmam que estamos diante de um dos poucos cânceres potencialmente elimináveis. A própria Organização Mundial da Saúde estabeleceu a estratégia 90-70-90:

  • 90% das meninas vacinadas até os 15 anos;
  • 70% das mulheres rastreadas;
  • 90% das mulheres com lesões tratadas.

Países como Austrália, Reino Unido, Suécia e Escócia já apresentam avanços significativos nessa direção. No Brasil, ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o rastreamento e garantir acesso ao tratamento são passos essenciais para transformar uma infecção extremamente comum em uma doença cada vez mais rara.

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