Um estudo inédito no Brasil pretende avaliar se levar a profilaxia pré-exposição ao HIV para espaços comunitários pode aumentar o acesso à prevenção entre jovens. A pesquisa, chamada COMPrEP, será lançada nesta sexta-feira (10/4) em Salvador e envolve pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais.
A proposta é oferecer a PrEP também fora das unidades de saúde, levando a estratégia de prevenção para ambientes frequentados por jovens em territórios periféricos e espaços de convivência. O estudo vai acompanhar participantes entre 15 e 24 anos, com foco em grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens, travestis e pessoas trans.
A pesquisa será realizada em Salvador e São Paulo e deve envolver cerca de 1,4 mil participantes. Os voluntários serão divididos em dois modelos de cuidado. Um grupo receberá acompanhamento tradicional em serviços de saúde. O outro terá acesso à profilaxia por meio de iniciativas comunitárias, com apoio de educadores pares.
Esses educadores serão jovens das próprias comunidades, capacitados para orientar os participantes sobre o uso da PrEP, acompanhar a estratégia de prevenção e compartilhar informações sobre HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
A ideia é criar vínculos de confiança e reduzir barreiras que muitas vezes afastam jovens dos serviços tradicionais de saúde. Os participantes serão acompanhados por até 12 meses, período em que os pesquisadores vão observar indicadores como início do uso da profilaxia, adesão ao tratamento e continuidade da estratégia.
Segundo o pesquisador Laio Magno, da Fiocruz Bahia e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a iniciativa reconhece o papel das comunidades no enfrentamento da epidemia.
“A expectativa é que os resultados ajudem a aprimorar as políticas públicas de prevenção ao HIV no Brasil, com estratégias mais acessíveis para populações em maior vulnerabilidade”, afirma, em comunicado.
O estudo é financiado pelo National Institutes of Health, dos Estados Unidos, e envolve pesquisadores da Fiocruz Bahia, Universidade Federal da Bahia, Universidade do Estado da Bahia, Universidade de São Paulo e Universidade do Alabama. A iniciativa conta ainda com a parceria do Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.







