Com o envelhecimento da população, a comunidade científica busca maneiras de prevenir doenças associadas ao passar dos anos, como a demência. Sem tratamento, a condição pode ser evitada com a eliminação de alguns fatores de risco — o controle do colesterol desde a meia idade e a diabetes são dois um deles.
Pesquisadores do Hospital Universitário de Copenhagen, na Dinamarca, juntaram os dois pontos. Pacientes com diabetes tipo 2 muitas vezes têm colesterol alto.
“Levantamos a hipótese de que o início precoce do uso de estatinas redutoras de LDL-C após o diagnóstico de diabetes tipo 2 poderia estar associado a um menor risco de demência. Testamos isso em um grande estudo de abrangência nacional, utilizando métodos de análise para emular um ensaio randomizado e reduzir alguns dos vieses associados a estudos observacionais”, explicou o pesquisador Tummas Ternhamar em apresentação no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia nesse domingo (30/8).
As estatinas são medicamentos tradicionais e baratos para tratar colesterol alto. Elas bloqueiam uma enzima do fígado relacionada à produção de colesterol, estabiliza placas de gordura que já existem e reduzem a inflamação das artérias.
Foram usados dados de 132.585 pessoas que não tomavam estatinas e que desenvolveram diabetes tipo 2 entre 2006 e 2019. Elas foram separadas em três grupos: um que não começou a usar o remédio nos cinco anos seguintes ao diagnóstico, outro que iniciou menos de um ano depois de descobrir que tinha diabetes, e outro que começou entre um e cinco anos depois.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência
Os participantes foram acompanhados por cerca de sete anos e, ao final do período, 2,7% deles desenvolveu demência. Na comparação, os que começaram a tomar estatinas precocemente tiveram um risco relativo 10% menor de ter a doença.
Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet Regional Health – Europe em 27 de agosto.
“As estatinas parecem ser subutilizadas em pacientes com diabetes tipo 2, apesar de seus efeitos protetores contra doenças cardiovasculares. Nossas descobertas sugerem outra razão potencialmente importante para garantir que pacientes com diabetes tipo 2 e níveis elevados de LDL-C recebam tratamento com estatina em tempo hábil”, explica Ternhamar.







