O tratamento da obesidade no Brasil passa por uma atualização importante. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) lançou uma nova diretriz que organiza, pela primeira vez de forma específica, o uso de medicamentos no cuidado da doença.
Publicada nessa terça-feira (31/3), a diretriz reúne 32 recomendações e busca orientar a prática clínica diante de um cenário em que as opções terapêuticas se tornaram mais amplas. A obesidade é considerada uma doença crônica e hoje afeta mais de 41 milhões de adultos no país.
“Nos últimos anos, a discussão sobre obesidade ficou mais complexa. O médico passou a lidar com um cenário terapêutico mais amplo e com decisões que exigem avaliação cada vez mais individualizada”, afirma o presidente da entidade, Fábio Trujilho.
Quando os medicamentos são indicados
A nova diretriz estabelece critérios mais claros para o uso de medicamentos no tratamento da obesidade. A indicação principal é para pessoas com índice de massa corporal igual ou superior a 30, ou acima de 27 quando há doenças associadas, como diabetes ou problemas cardiovasculares.
O documento também abre espaço para avaliação individualizada em situações específicas, como aumento da circunferência abdominal associado a complicações de saúde.
Apesar da ampliação das recomendações, os especialistas reforçam que os medicamentos não substituem mudanças no estilo de vida.
A orientação é que o tratamento farmacológico seja sempre combinado com alimentação adequada, prática de atividade física e acompanhamento profissional.
“O documento transforma esse avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”, diz Trujilho.
Diretriz inclui novas terapias
Um dos destaques da nova publicação é a incorporação de medicamentos mais recentes, como os chamados análogos de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas para emagrecimento.
Esses fármacos atuam simulando hormônios ligados à saciedade e ao controle do apetite, o que pode levar a uma redução significativa do peso corporal.
A diretriz também passa a considerar não apenas a perda de peso isolada, mas o impacto do tratamento em diferentes condições clínicas, como risco cardiovascular, pré-diabetes, apneia do sono e doença hepática.
Para Fernando Gerchman, um dos coordenadores da nova diretriz, esse é um dos avanços do documento. “O texto traz direcionamentos para cenários que fazem parte da prática do consultório, o que aproxima a recomendação científica da realidade dos pacientes”, explica.
Cuidados e alertas no uso
Além das indicações, a diretriz também reforça a necessidade de cautela no uso de medicamentos. O documento alerta para substâncias sem comprovação científica robusta e para o uso indiscriminado de fórmulas manipuladas.
Segundo a entidade, produtos que incluem hormônios, diuréticos ou outras combinações sem respaldo adequado podem trazer riscos à saúde.
O uso fora das indicações aprovadas também deve ser avaliado com cuidado e considerado apenas quando não houver alternativas disponíveis e existirem evidências de segurança e eficácia.
Avanço no tratamento da doença
A publicação marca uma mudança na forma como o tratamento da obesidade é abordado no país. Até então, o uso de medicamentos aparecia apenas como parte de diretrizes mais amplas.
Agora, com um documento específico, a expectativa é oferecer mais clareza para profissionais de saúde e melhorar o cuidado com os pacientes.
Em meio ao aumento dos casos de excesso de peso no Brasil, a diretriz reforça que o tratamento precisa ser contínuo, individualizado e baseado em evidências, combinando diferentes estratégias para resultados mais seguros e duradouros.







