Suspender investimentos na propriedade é a saída que o avicultor Marcelo Teles, de Palotina, no oeste do Paraná, encontrou para driblar a conjuntura difícil em decorrência do aumento dos custos de produção. “Há quatro anos só faço manutenção preventiva, não há como aplicar recursos em equipamentos novos”, afirma. Ele mantém quatro aviários na propriedade, onde aloja 33 mil aves e, mesmo sendo integrado a uma cooperativa da região, tem visto dificuldades para dentro da porteira: “Há uma fatia do negócio diminuindo”.
Boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná, mostra que avicultores e suinocultores vivem um momento de margens negativas no Estado. Na avicultura de corte, o produtor recebeu em agosto R$ 4,73 por quilo de frango vivo, abaixo do seu custo total de produção, de R$ 4,85 por quilo, gerando margem negativa de 2,47%.
Cenário ainda mais apertado é observado na suinocultura no Paraná. O preço nominal médio do suíno vivo ficou em R$ 5,31 quilo enquanto o custo operacional foi de R$ 5,96 por quilo, levando a uma margem negativa de 10,91%.
Um dos principais fatores de pressão sobre as margens é o encarecimento da ração dos animais no Estado que é o segundo no ranking nacional de produção de suínos e primeiro na avicultura. Milho e farelo de soja, os principais ingredientes da ração, subiram 6,9% e 17% em 12 meses, respectivamente, de acordo com o Deral.
Para o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, a margem negativa, em alguns casos, pode ser até maior, chegando a 30%. “A alimentação corresponde a mais de 70% do custo de produção, mas outros insumos como energia elétrica, material de construção e mão de obra têm impactado o bolso do produtor e reduzido ainda mais as margens”, afirma.
Segundo ele, o custo de produção pesa mais para os produtores independentes de suínos, que representam cerca de 25% dos criadores paranaenses. O restante está dividido entre os integrados a agroindústrias e às cooperativas.
Suinocultor em Itapejara do Oeste (PR), Dariva é integrado e mantém dois galpões de unidade produtora de desmamados com 3,2 mil cabeças. Em sua visão, para que as margens retornem a níveis positivos para os criadores é fundamental que haja aumento no consumo interno da carne suína.
O dirigente diz que o excedente de produção no país gira em torno de 280 mil toneladas de carne suína atualmente, por isso uma nova campanha lançada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos busca estimular o consumo.
De acordo com a Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves (CNPSA), enquanto o custo de produção de suínos aumentou 2,58% em agosto, em relação a julho, o preço recebido pelo produtor caiu 4,15%. “Essa diferença aumenta a pressão sobre as margens e dificulta a recuperação da rentabilidade da atividade”, ressalta Roberto Carlos Andrade e Silva, analista do Deral.
Na avicultura paranaense, o custo de produção acumula altas de 5,61% no ano e 5,30% em 12 meses, segundo o Deral. O Estado é o maior produtor nacional, com 34% dos abates de aves. Na atividade, a alimentação representa quase 64% dos custos, por isso a alta de milho e da soja acende um alerta. Num cenário de retração no preço do frango vivo, a relação de troca está se deteriorando, observa o Deral.
O avicultor Marcelo Teles observa que no modelo de integração o produtor não é impactado diretamente pela oscilação do preço da ração, que é fornecida pela indústria. No entanto, outros custos de manutenção da propriedade pesam no bolso do produtor.
Entre eles, Teles elenca o custo da energia elétrica e do óleo diesel, utilizado em geradores, aquecedores de aviários e maquinários agrícolas. “A manutenção da propriedade está cara, enquanto isso o valor do frango não subiu”, lamenta.
Dalton Auri Ludewig, avicultor em Maripá, no oeste do Paraná, cria 180 mil aves em oito aviários na propriedade familiar que toca com o pai e o irmão. Ele também cita entre os insumos que mais pesam nos custos de produção a energia elétrica e o óleo diesel, além do gás (GLP). “São itens essenciais para a atividade. Não há alternativa para economizar”.
Mesmo com a cooperativa absorvendo parte dos custos, o produtor afirma que a rentabilidade está cerca de 20% menor este ano. Os investimentos, diz ele, também estão parados, tendo em vista a redução das margens e as taxas de juros das linhas de crédito. “Nessa atividade, fazemos investimentos a longo prazo e o juro alto deixa o produtor amarrado por muitos anos, fica inviável”, avalia.







