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Home Economia

Como o dólar alto afeta o bolso dos brasileiros

Apesar dos recentes recuos, moeda norte-americana ainda acumula valorização de 12,6% contra o real em 2024

por CNN
09/07/2024
em Economia
Tempo de leitura: 3 minutos
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Uma das primeiras influências da alta pode ser vista no preço dos bens importados e em viagens para o exterior
REUTERS/Paulo Whitaker

Uma das primeiras influências da alta pode ser vista no preço dos bens importados e em viagens para o exterior REUTERS/Paulo Whitaker

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Apesar do forte recuo do dólar nos últimos dias, fechando a semana cotado a R$ 5,46, a divisa ainda se mantém no maior patamar desde 2022 — resultado de uma escalada iniciada em abril e que se intensificou em junho.

Em 2024 a moeda ainda acumula elevação de 12,6%.

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Desde viagens ao exterior até o encarecimento de produtos nas gôndolas dos supermercados, o dólar alto deve afetar a economia e o bolso dos brasileiros a curto e médio prazo, segundo economistas ouvidos pela CNN.

Confira abaixo como a perda de valor do real ante a principal moeda do globo tende a impactar o cotidiano no Brasil.

Viagens mais caras

Um dos principais sinais perceptíveis da alta do dólar está no encarecimento das viagens ao exterior.

Neste caso, o efeito mais palpável está na perda de valor da moeda brasileira — o que demanda mais reais para compra de produtos ou contratação de serviços cotados em dólar.

Em outro aspecto, o custo das passagens também se torna menos acessível, já que grande parte das despesas das companhias aéreas está atrelada à moeda norte-americana.

“De forma imediata, vejo efeito que se a pessoa está com viagem marcada ou com algum compromisso de compra de imóvel fora do país, por exemplo, onde se precisa desembolsar o valor em dólar”, explica a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.

Produtos mais caros no Brasil

O encarecimento dos produtos nas lojas e supermercados no Brasil é outro efeito relacionado ao aumento da cotação do câmbio.

Por um lado, a importação de bens se torna mais cara diante da disparidade do valor entre o real e a divisa norte-americana. Esse efeito acaba se espalhando por toda a cadeia, visto que mesmo itens produzidos no Brasil usam componentes, insumos ou maquinários estrangeiros.

“Mesmo nos grãos, que o Brasil tem certo protagonismo, as cotações também são estabelecidas em dólar, então soja e milho podem ficar mais caros”, explica André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O aumento do dólar também torna o mercado internacional mais atraente, fazendo com que produtores brasileiros priorizem as exportações ao consumo interno. Com menos oferta disponível, o preço do produto tende a apontar para cima.

“Sempre que o real se desvaloriza frente ao dólar, é como se os produtos brasileiros entrassem em promoção e isso pode estimular um volume maior de exportações”, complementa Braz.

O efeito deste movimento no mercado brasileiro deve ser mitigado pelo tempo, com empresas gradualmente se reajustando ao novo cenário.

“O câmbio precisa ficar em um nível elevado por mais ou menos dois meses, e os empresários vão começando a reajustar os seus preços. Já para o consumidor, demoraria em média de seis a nove meses [para sentir os impactos]”, diz Quartaroli.

Inflação e juros

Produtos mais caros dificultam a queda da inflação, demandando maiores esforços do Banco Central (BC) na condução dos juros.

Em junho, a autoridade monetária anunciou a interrupção do ciclo de queda da Selic, mantendo a taxa básica em 10,5% ao ano.

A decisão ocorreu em meio ao aumento da desconfiança dos investidores na capacidade de o governo federal alcançar a meta de equilíbrio dos gastos públicos — um dos principais vetores para a recente disparada da moeda norte-americana.

O cenário levou à desancoragem das expectativas para a inflação. Porém, apesar do quadro mais cauteloso, Roberto Campos Neto, presidente do BC, descartou que a autoridade monetária discuta o aumento das taxas de juros.

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