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Home Saúde

Como infecção por HPV pode virar câncer de colo de útero? Entenda

Principal fator de risco para o tumor é a infecção pelo vírus sexualmente transmissível; doença pode ser prevenida com vacina

por CNN
26/03/2025
em Saúde
Tempo de leitura: 4 minutos
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Câncer de colo de útero pode ser causado pela infecção pelo vírus HPV • Unomat/GettyImages

Câncer de colo de útero pode ser causado pela infecção pelo vírus HPV • Unomat/GettyImages

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O câncer de colo de útero, também chamado de câncer cervical, é causado pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Transmitida por meio de relações sexuais desprotegidas, a doença pode ser evitada por meio da vacinação e, portanto, a conscientização é fundamental. Diante disso, nesta quarta-feira (26) é reconhecido o Dia Mundial do Câncer de Colo de Útero.

Na maioria das vezes, a infecção pelo vírus HPV não causa sintomas. No entanto, em alguns casos, as células sofrem alterações que podem evoluir para o câncer ao longo dos anos

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“O câncer de colo de útero é 98% das vezes relacionado ao HPV”, afirma Márcia Datz Abadi, oncologista e diretora médica da MSD Brasil, à CNN. “O HPV tem uma série de sorotipos, mais de 200, mas existe em torno de 14 deles que são oncogênicos, ou seja, que causam câncer. E esse vírus é latente, fica dentro das células da mucosa do colo do útero e, dentro do DNA desse vírus, podem ocorrer mutações que podem levar ao câncer”, explica.

As mutações nas células infectadas pelo HPV podem ocorrer ao longo da vida. Isso significa que uma pessoa que contraiu o vírus pode levar anos para detectar lesões pré-cancerígenas ou, até mesmo, o câncer.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que, para cada ano do triênio 2023-2025, mais de 17 mil novos casos de câncer de colo de útero sejam registrados no Brasil. Entre os fatores de risco estão as relações sexuais sem preservativos, o tabagismo e o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais.Play Video

Como o HPV e as lesões cancerígenas podem ser detectados?

A detecção precoce do câncer de colo de útero é fundamental para aumentar a chance de tratamento e cura. Ela pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais e radiológicos. O exame preventivo — ou seja, aquele feito em pessoas sem sintomas sugestivos da doença — é o Papanicolau, capaz de detectar lesões pré-cancerígenas e fazer o diagnóstico precoce.

O exame pode ser feito em postos ou unidades de saúde da rede pública e sua realização periódica permite reduzir a ocorrência e a mortalidade pela doença.

Além do Papanicolau, a colposcopia permite a visualização da vagina e do colo de útero com um aparelho chamado colposcópio, capaz de detectar lesões anormais nessa região. As células anormais detectadas por esses exames são analisadas em uma biópsia, que confirma o diagnóstico de câncer.

Apesar da importância do diagnóstico precoce, mais de 36 milhões de mulheres não realizaram ao menos um exame preventivo no intervalo de três anos. Os dados são de levantamento feito pela Associação Umane com informações do ImpulsoGov, considerando dados do SISAB (Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica), do Ministério da Saúde.

Os dados do Observatório da Saúde Pública, da Umane, mostram ainda que, em 2023, 21% das mulheres que vivem nas capitais do Brasil nunca tinham feito o exame de Papanicolau, com base em números do Vigitel. As mulheres com menor nível de escolaridade, com até 8 anos de estudo, foram as que mais se precaveram, com 85,7% tendo feito o exame, contra 14,3% dessa faixa que nunca tinham feito o Papanicolau.

Já entre as mulheres com 9 a 11 anos de estudo, 30,2% não fizeram o exame. Entre aquelas com 12 anos ou mais de estudo, 15,4% não investigaram se tinham câncer de colo do útero.

Como é feita a prevenção?

A principal forma de prevenir o câncer é a vacinação contra o HPV. A vacina é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é indicada para:

  • Meninas e meninos de 9 a 14 anos;
  • Mulheres e homens que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos;
  • Vítimas de abuso sexual, imunocompetentes, de 15 a 45 anos (homens e mulheres) que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com esquema incompleto;
  • Usuários de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de HIV, com idade de 15 a 45 anos, que não tenham tomado a vacina HPV ou estejam com esquema incompleto (de acordo com o esquema preconizado para idade ou situação especial);
  • Pacientes portadores de Papilomatose Respiratória Recorrente/PRR a partir de 2 anos de idade.

“O câncer de colo de útero mata, hoje, 19 mulheres todos os dias no Brasil. Esse é um número muito forte, que precisamos mudar”, afirma Abadi. “Entre as mulheres que ainda não se vacinaram, 57% delas responderam que foi por falta de conhecimento. Então, precisamos continuar batendo nessa tecla [sobre a importância da vacinação]”.

O dado citado pela oncologista é de pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos pedido da MSD Brasil. O estudo, feito com 500 pessoas em todo o país, mostrou que a campanha de vacinação foi citada como principal ator que levou à adesão à vacina contra o HPV por 65% dos vacinados.

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