O alívio nos preços dos alimentos essenciais em Palmas perdeu força em agosto. Depois de registrar duas quedas consecutivas, de 5,17% em junho e 4,30% em julho, o custo da cesta básica voltou a subir na Capital. O levantamento é realizado mensalmente pelo Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Naepe), que acompanha o comportamento dos preços dos principais produtos consumidos pelas famílias em Palmas, Porto Nacional e Gurupi. Em julho, a cesta na Capital havia recuado para R$ 711,72, depois de ter chegado a R$ 784,24 em maio.
REDUÇÃO ACUMULADA
A redução acumulada em junho e julho foi de 9,47%. A reversão registrada em agosto ganha importância justamente porque ocorre depois de um período de forte acomodação dos preços. A queda de junho foi a primeira registrada em 2026. Em julho, o movimento de baixa se aprofundou, com o tomate liderando a redução, ao recuar 32%, seguido pelo feijão, com queda de 4%, e pelo arroz, que ficou 2,4% mais barato.
FORÇAS SOBRE OS PREÇOS
Para o diretor-geral do Naepe, economista e professor do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Autenir de Rezende, a mudança de trajetória mostra que o comportamento da cesta continua sujeito a diferentes forças que atuam simultaneamente sobre os preços, como os choques de petróleo, por exemplo. O resultado de agosto também recoloca em evidência o impacto da alimentação sobre a renda dos trabalhadores. Em julho, quando a cesta custava R$ 711,72, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisava dedicar 96 horas e 36 minutos de trabalho para adquirir os alimentos básicos, enquanto o salário mínimo necessário era estimado em R$ 5.979,17.
PRINCIPAL INDICADOR
Agora, estes números passaram para 99 horas e 42 minutos e, R$ 6.170,88, respectivamente. Isso mostra, portanto, que a recente redução dos preços não elimina a pressão estrutural exercida pela alimentação sobre o orçamento doméstico. Portanto, a cesta básica continua sendo um dos principais indicadores para acompanhar o poder de compra das famílias, especialmente entre os trabalhadores de menor renda.
TRAJETÓRIA ACUMULADA
O Naepe destaca ainda que a leitura dos preços deve considerar não apenas a variação de um mês para outro, mas também a trajetória acumulada e a capacidade de compra do trabalhador. Em um cenário de mudanças frequentes nos custos de produção e transporte, o comportamento dos preços dos alimentos permanece no radar das famílias, do comércio e dos formuladores de políticas públicas.
NAEPE
Os dados completos da pesquisa podem ser acessados no site e no perfil oficial do Núcleo no Instagram (@naepe.pesquisas). O estudo conta com apoio do Ministério Público (MPE), da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), do PET Economia da UFT e do Conselho Regional de Economia do Tocantins (Corecon)






