Ondas de calor extremo mais frequentes e intensas estão ameaçando a produção de alimentos no planeta, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (23/4) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO).
“O calor extremo está, cada vez mais, definindo as condições nas quais o agronegócio opera. Mais do que um risco climático isolado, funciona como um fator que amplia as fragilidades existentes da agricultura”, disse a secretária-geral da WMO Celeste Saulo.
Para a maioria das culturas agrícolas, segundo o relatório, a produtividade começa a cair a partir dos 30°C, quando as células são enfraquecidas, afetando a distribuição de energia na planta.
Na pecuária, a mortalidade para bovinos em condições de calor extremo podem chegar a 24% do rebanho. Já na produção de leite, o estudo aponta que o calor extremo já é responsável pela perda de 1% da produção leiteira mundialmente, além de afetar a qualidade do produto.
Outro efeito citado pelo estudo é o risco à vida de trabalhadores no campo. A pesquisa aponta que os dias por ano muito quentes para o trabalho rural podem chegar a 250 no sul da Ásia, na África Subsaariana e partes da América do Sul e Central.
Além dos efeitos diretos ao agro, a FAO e a WMO alertam para os danos indiretos, como o estresse hídrico e secas repentinas, causadas pela baixa umidade nas camadas superiores do solo. O estudo aponta como exemplo a seca no Brasil em 2023/24, que chegou a registrar perdas em 20% da produtividade enquanto as temperaturas chegaram a 7°C acima da média.







