O nascimento de um filho é um momento de profunda emoção e muito esperado por toda a família. Para Marcella Silva, no entanto, a chegada do pequeno Victor Hugo foi também um teste de resistência e sobrevivência. Neste domingo, dia 28, Marcella deu à luz em uma sala adaptada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul, em Palmas, após ter o atendimento recusado repetidamente na maternidade pública do Estado, no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos.
A saga de Marcella começou muito antes do trabalho de parto ativo. Segundo Karinny Alves, cunhada da gestante e tia do bebê, foram três idas à maternidade em menos de uma semana. A primeira, no dia 20 de junho, se queixando de dores intensas e perda de líquido; a segunda, no dia 25 de junho; e a terceira, na noite do dia 26 deste mês. Mesmo apresentando sangramento, perda de líquido e dores intensas, a resposta que a família ouvia da equipe do hospital era: “É normal, vamos segurar até as 41 semanas”.
Na última ida ao Dona Regina, o exame de toque revelou que Marcella já estava com 4 cm de dilatação. “Eu implorei para internarem ela”, relembrou Karinny, que acompanhou todo o processo. “Mas disseram que estava tudo certo, que o bebê estava bem e que ela aguentaria. Voltamos para casa com ela chorando de dor.”
Na noite do último sábado, 27, a situação ficou insustentável, segundo a família de Marcella. As dores ficaram fortes a ponto de ela sequer conseguir caminhar. Sabendo que retornar ao Dona Regina poderia significar uma nova negativa de atendimento, a família tomou outra decisão: correr para a UPA da região sul de Palmas. Marcella deu entrada na unidade às 23h30. O parto aconteceu à 00h51 já do dia 28 de junho.
Como a UPA não possui estrutura para a realização de partos e cirurgias, a equipe médica transformou uma sala comum em um centro cirúrgico improvisado de urgência. O procedimento ocorreu sob o comando dos pediatras e médicos emergencistas, três enfermeiras e dois técnicos de enfermagem plantonistas da unidade.
Ainda segundo Karinny, logo após o nascimento, Victor Hugo demorou a chorar. Os pediatras iniciaram os estímulos e procedimentos de reanimação até que o choro do bebê finalmente ecoou pela sala, trazendo alívio e lágrimas de emoção. “Foi muito emocionante e uma agonia e tanto… Os profissionais da UPA Sul foram ágeis e maravilhosos. Fizeram tudo o que tinha que ser feito”, agradeceu Karinny, emocionada.
Após o susto e o parto na UPA Sul, Marcella e Victor Hugo Sousa da Silva receberam alta hospitalar, estão em casa e passam bem.
Governo do Estado responde
O T1 entrou em contato com o Governo do Estado para questionar o motivo das três negativas de atendimento a Marcella. Em resposta, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) afirmou que a paciente foi prontamente atendida e avaliada pela equipe médica do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR) em todas as ocasiões. Segundo a pasta, as avaliações feitas nos dias 25 e 26 de junho constataram que Marcella não apresentava critérios clínicos para internação, justificando que o trabalho de parto ainda não estava em evolução e que ela recebeu orientações para retornar em caso de intercorrências. A secretaria reforçou que a conduta seguiu os protocolos técnicos obstétricos do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco na segurança de mãe e filho.
Leia a íntegra:
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) esclarece que a paciente citada foi prontamente atendida e avaliada pela equipe médica do Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR) nas três ocasiões em que procurou a unidade. A paciente foi avaliada no HMDR nos dias 25 e 26 de junho e, por não apresentar critérios clínicos para internação, uma vez que o trabalho de parto não estava em evolução, recebeu as orientações necessárias, incluindo o retorno imediato à unidade em caso de qualquer intercorrência, conforme os protocolos assistenciais. O parto ocorreu na madrugada do dia 28. A SES-TO ressalta que o HMDR realiza os atendimentos em conformidade com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), os protocolos técnicos obstétricos e os fluxos assistenciais vigentes, garantindo que as condutas sejam adotadas com base na avaliação clínica e na segurança da mãe e do bebê.







