O assassinato de Moisés Costa da Silva completa sete anos neste sábado (30). Ele foi morto enquanto exercia o cargo de prefeito de Miracema do Tocantins. Nesse longo período, a família só conseguiu ter incertezas e o sentimento de impunidade. O crime chocou o município, mas ainda não se tem a resposta esperada: quem matou o Moisés da Sercon, como ele era conhecido.
O prefeito, que estava em seu primeiro mandato, foi executado no dia 30 de agosto de 2018. O crime aconteceu durante o dia e o corpo de Moisés foi encontrado em sua própria caminhonete, em uma estrada rural da região.
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil e é acompanhada pelo Ministério Público do Estado (MPTO). O g1 pediu informações tanto à Secretaria de Segurança Pública (SSP) quanto ao Ministério Público do Tocantins (MPTO) para saber como anda o caso. Ambos deram a mesma resposta: a investigação segue em andamento, ‘sob sigilo judicial’.
A família segue com a mesma resposta, sem nenhuma luz sobre o que aconteceu com o prefeito de Miracema em 2018. Mas isso não impede a cobrança por justiça.
“Nós, enquanto família, cobramos todos os dias durante esses sete anos, assiduamente nós vamos à delegacia, vai à Secretaria de Segurança Pública, ao Ministério Público, à procuradoria, buscar resposta, colaborar com as investigações e o que precisamos é saber o que realmente aconteceu e não deixar esse crime impune. A família continua apreensiva, angustiada, aguardando o desfecho desse caso para que a gente tenha paz”, disse o irmão de Moisés, Fidel Costa.
Um ponto que Fidel soube, por meio de investigadores, é que o crime contra seu irmão é complexo, misterioso e que possivelmente foi cometido por alguém que entende de investigação e até de perícia, já que tantos anos se passaram e ainda não se sabe a autoria.
“Tem alguém que teve o poder de fazer algo para não deixar pista. E isso precisa ser esclarecido. O Moisés morreu no exercício do poder, no exercício do mandato, uma autoridade constituída legalmente e que veio a ser assassinado cruelmente por alguém que talvez teria muita raiva dele ou então que teria algum interesse de tirar ele da carreira que ele vinha constituindo”, acredita o irmão.
Pedido de federalização do caso
Se o caso não for resolvido no âmbito estadual, a família quer que a investigação seja federalizada. Fidel explicou que nos últimos dois anos foram feitos três pedidos de federalização do caso, um pela família e outros três por instituições de representatividade. Todos ainda estão tramitando.
“A gente tem confiança de que se a Secretaria de Segurança Pública do Tocantins não resolver, que o caso seja repassado para a federalização, para a Polícia Federal resolver”, afirmou.
Enquanto isso, o irmão contou que todos estão colaborando com a apuração regional. “A gente tem colaborado, tem cobrado e esperamos que eles [Polícia Civil] realmente mostrem o que aconteceu e que tragam uma boa notícia para a família e para a população de Miracema”, completou.
O g1 pediu posicionamento à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os pedidos de federalização do caso, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Prefeito era promissor
Moisés da Sercon disputou as eleições municipais de 2016 pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Natural de Lizarda, tinha 44 anos e era empresário do ramo da contabilidade. Foi eleito com 84,62% dos votos do pleito, logo na primeira vez que concorreu a um cargo público. Ele era casado com Camila Fernandes, atual prefeita de Miracema.
Na época do assassinato de Moisés, protestos foram feitos com a participação da população no intuito de cobrar das autoridades celeridade na apuração do caso. Para Fidel, o irmão estava se destacando na política local e a falta dele foi sentida por toda comunidade.
“Moisés deixou um vazio enorme. Desde que ele foi assassinado, a cidade parece estar numa escuridão emocional, parece que as pessoas perderam a esperança de dias melhores, pois depositaram naquele jovem uma esperança de futuro para o município. Moisés vinha brilhantemente administrando o município e isso com certeza deixou um vazio enorme para todos”, lamentou.
Últimas ações como prefeito
Poucos dias antes de ser assassinado, Moisés tinha inaugurado obras no município em comemoração ao aniversário da cidade, comemorado em 25 de agosto.
“Fez uma grande festa de inauguração de pontes que, há 30 anos, os munícipes aguardavam, pontes essenciais para o desenvolvimento do município, entre outras obras que foram entregues como asfalto, rede de esgoto. Foi uma semana de muita festa, de muita alegria para a população, para o Moisés e para nós, familiares. E, de repente, vem essa notícia que deixou todo mundo surpreso e arrasado”, relembrou o irmão.
A família diz que o prefeito não tinha inimigos e que sempre teve um perfil de pacificador, inclusive, lidava bem com o grupo de oposição ao seu governo. “Desde criança o Moisés sempre foi muito pacífico, foi o cara do diálogo, da paciência, muito querido entre todos. Então, não tinha o perfil de uma pessoa que buscasse brigas, intrigas”.
Sete anos esperando por justiça
Diante de tantos anos de espera, a família espera que o Estado esclareça o assassinato de Moisés da Sercon, e que a justiça seja feita. Eles também pretendem continuar buscando e cobrando a solução do caso, seja pela polícia do Tocantins ou com a federalização.
Fidel contou que em um curto espaço de tempo, a família perdeu sete pessoas. Entretanto, a morte de Moisés foi a mais dolorosa, pois não se tem informações de quem o assassinou.
“Imagine o quanto essa família vem sendo emocionalmente adoecida, e nesse caso do Moisés deixou uma ferida emocional profunda pelo resto de nossas vidas. O assassinato dele é uma dor de perda maior do que as outras dores. Todas as perdas doem e doem muito, mas a gente sabe o que aconteceu. Agora, quando se trata de um assassinato, principalmente um assassinato misterioso como esse do Moisés, a dor é maior, a revolta é muito grande e a gente não consegue sarar essa ferida”, lamentou o irmão, destacando que deseja que os culpados sejam apresentados, presos e condenados conforme a lei.
Íntegra da nota da SSP
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informa que que esta investigação segue em andamento, sob sigilo judicial. Mais informações serão repassadas em momento oportuno.
Íntegra da nota do Ministério Público
O processo está em segredo de justiça e não será possível divulgar detalhes.