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Home Economia

Impacto total do choque tarifário dos EUA ainda está por vir, diz OCDE

por G1
23/09/2025
em Economia
Tempo de leitura: 3 minutos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua tabela de tarifas recíprocas • Chip Somodevilla/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua tabela de tarifas recíprocas • Chip Somodevilla/Getty Images

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O crescimento global tem se mostrado mais resistente do que o previsto, mas o efeito completo das tarifas de importação dos Estados Unidos ainda não foi sentido. Por ora, o investimento em inteligência artificial sustenta a atividade nos EUA, enquanto o apoio fiscal ajuda a conter a desaceleração da China, afirmou a OCDE nesta terça-feira.

No Relatório Interino de Perspectivas Econômicas mais recente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico destacou que os efeitos das tarifas dos EUA ainda estão em curso. Até agora, as empresas têm absorvido parte do impacto por meio da redução das margens de lucro e da formação de estoques de segurança.

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Diversas empresas anteciparam compras e estocaram produtos antes dos aumentos tarifários do governo Trump, que elevaram a taxa efetiva sobre as importações para cerca de 19,5% até o fim de agosto — o nível mais alto desde 1933, no auge da Grande Depressão.

“Os efeitos totais dessas tarifas ficarão mais claros à medida que as empresas reduzirem os estoques acumulados em resposta aos anúncios de tarifas e à medida que as taxas tarifárias mais altas continuarem a ser implementadas”, disse o diretor da OCDE, Mathias Cormann, em uma coletiva de imprensa.

Previsões de crescimento atualizadas

A economia global deve registrar apenas uma leve desaceleração, passando de 3,3% no ano passado para 3,2% em 2025, acima dos 2,9% estimados pela OCDE em junho.

Já para 2026, a organização com sede em Paris manteve a previsão em 2,9%, considerando que o efeito da formação de estoques deve se dissipar e que tarifas mais elevadas devem pesar sobre o investimento e o comércio.

“Aumentos adicionais nas barreiras ao comércio ou incerteza prolongada podem reduzir o crescimento, aumentando os custos de produção e pesando sobre o investimento e o consumo”, disse Cormann.

A OCDE projeta que a economia dos EUA desacelerará para 1,8% em 2025, acima dos 1,6% estimados em junho, após ter crescido 2,8% no ano passado. Para 2026, a previsão segue em 1,5%, sem mudanças em relação ao relatório anterior.

  • Segundo a OCDE, o forte ciclo de investimentos em inteligência artificial, o apoio fiscal e os cortes de juros pelo Federal Reserve (o banco central americano) devem compensar, em parte, os efeitos das tarifas mais altas, da queda da imigração e da redução de funcionários federais.

Na China, o crescimento também deve desacelerar no segundo semestre, à medida que a corrida para antecipar exportações antes das tarifas dos EUA se esgota e o efeito do apoio fiscal perde intensidade.

Ainda assim, a economia chinesa deve crescer 4,9% neste ano, acima dos 4,7% estimados em junho, antes de desacelerar para 4,4% em 2026, levemente acima dos 4,3% da previsão anterior.

Na zona do euro, tensões comerciais e geopolíticas devem anular parte do estímulo trazido pelas taxas de juros mais baixas, segundo a OCDE.

A previsão para a economia do bloco é de alta de 1,2% neste ano, acima do 1,0% anterior, e de 1,0% em 2026, abaixo dos 1,2% projetados antes. O avanço é sustentado pelo aumento dos gastos públicos na Alemanha, enquanto as medidas de austeridade pressionam França e Itália.

No caso do Brasil, a OCDE projeta crescimento de 2,3% neste ano e de 1,7% em 2026, acima das estimativas anteriores de 2,1% e 1,6%, respectivamente.

Política monetária deverá ser frouxa

Com a desaceleração econômica, a OCDE prevê que a maioria dos principais bancos centrais reduza os custos de empréstimo ou mantenha políticas monetárias mais flexíveis ao longo do próximo ano, desde que as pressões inflacionárias sigam em queda.

A projeção da OCDE é que o Federal Reserve promova novos cortes de juros conforme o mercado de trabalho enfraqueça, a menos que tarifas mais elevadas provoquem uma inflação mais disseminada.

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