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70% das mulheres sofrem com coceira e outros sintomas na região genital

Constatação foi feita por pesquisadoras da UFSCar a partir de questionários aplicados a 313 voluntárias na faixa dos 30 anos

por CNN
16/05/2025
em Saúde
Tempo de leitura: 3 minutos
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As questões relatadas podem ter causas diversas, como infecções, alterações hormonais, dermatológicas ou musculares • TEERASAK AINKEAW/500px/GettyImages

As questões relatadas podem ter causas diversas, como infecções, alterações hormonais, dermatológicas ou musculares • TEERASAK AINKEAW/500px/GettyImages

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Estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) constatou que 72,5% das mulheres brasileiras jovens sofrem com sintomas vulvovaginais, como coceira, corrimento e dor durante o ato sexual.

Realizada com 313 voluntárias na faixa dos 30 anos, a pesquisa mostrou que, embora os sintomas afetem negativamente a qualidade de vida e a saúde sexual dessas pessoas, eles têm sido amplamente normalizados. Os dados foram publicados no Brazilian Journal of Physical Therapy.

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Na avaliação de Ana Carolina Beleza, uma das autoras do artigo, há ainda um forte tabu em relação ao tema, o que leva muitas mulheres a subestimar o impacto desses sintomas na saúde, no cotidiano ou na vida sexual. A contradição entre prevalência e consequências dos problemas vulvovaginais foi constatada na pesquisa. Isso porque, além de indagar se as participantes tinham os sintomas, o questionário incluía escores sobre o impacto deles em diferentes aspectos da vida.

“Mesmo mulheres que relataram dor durante o ato sexual avaliaram que o problema tem baixo impacto em suas vidas. Os escores utilizados para medir o impacto desse e de outros sintomas ficaram muito aquém do esperado, revelando uma normalização preocupante. É importante destacar que sentir dor durante o ato sexual não é normal e deve ser investigada por meio de abordagens clínicas. A tendência de normalizar os sintomas vulvovaginais reforça a necessidade de mais educação em saúde íntima, seja nas escolas ou nos atendimentos de saúde”, defende Beleza, que coordena o Núcleo de Estudos em Fisioterapia na Saúde da Mulher (Nefism) da UFSCar.

Apoiado pela Fapesp, este trabalho é o primeiro a demonstrar a prevalência de sintomas vulvovaginais em mulheres brasileiras jovens. De acordo com os resultados, os sintomas mais relatados foram secreção vaginal (63%), coceira (54%), ardência (31%), secura vaginal (30%), odor vaginal (28%), irritação (27%) e dor no ato sexual (20%). Menos de 30% das participantes afirmaram não apresentar nenhum desses incômodos.

As questões relatadas podem ter causas diversas, como infecções, alterações hormonais, dermatológicas ou musculares. Embora tenham tratamento, elas podem afetar negativamente o bem-estar emocional e a função sexual e resultar em mudanças na autoconfiança e na vida social das mulheres.

“Trata-se de uma questão que exige um olhar mais global, pois envolve outros aspectos que vão além da saúde, como questões culturais, emocionais e de desconhecimento sobre a própria saúde”, afirma Clara Maria de Araujo Silva, primeira autora do artigo e pesquisadora do Nefism-UFSCar.

O tabu em relação aos sintomas vulvovaginais também se reflete nos poucos estudos sobre o tema. “Até onde se tem conhecimento, esse é o primeiro realizado no Brasil e para essa faixa etária. Mesmo assim, foi uma surpresa observar a alta prevalência de sintomas vulvovaginais entre mulheres jovens. Nesta faixa etária, sintomas como dor e ardência não são esperados, já que não há alterações hormonais associadas à menopausa, por exemplo”, ressalta Beleza.

Determinantes sociais em saúde

O estudo sugere que, embora a prevalência dos sintomas abranja todos os estratos sociais e educacionais, ela pode ser ainda maior entre mulheres com menor renda e escolaridade.

“Isso abre uma série de questionamentos que podemos investigar em próximos estudos. Queremos identificar outros fatores, como renda, educação, emprego, condições de moradia e acesso a serviços de saúde, que poderiam influenciar a ocorrência de sintomas. A partir desse entendimento, será possível traçar medidas para reduzir essa prevalência e estratégias para que esses sintomas não sejam mais normalizados”, adianta Beleza.

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