Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já contabiliza mais de 580 mil casos prováveis de dengue. O cenário reforça um alerta após um ano de recordes históricos em 2024: o país registrou 6,6 milhões de possíveis infecções e mais de 6 mil óbitos causados pela doença.
O ano passado também foi marcado pela expansão da circulação do sorotipo DENV-3 do vírus, considerado o com maior potencial de causar formas graves da doença. Para conter esse avanço, são necessárias diversas medidas, como a eliminação de criadouros do Aedes aegypti, o descarte correto de ovos e larvas e a vacinação da população, especialmente crianças e adolescentes de 10 a 14 anos e idosos . A testagem rápida e precisa também é essencial para o controle da dengue.
Testagem rápida: diagnóstico precoce é essencial
Ao identificar os principais sintomas da dengue como febre alta, dores musculares, dor de cabeça intensa, especialmente atrás dos olhos, náuseas e vômitos e manchas vermelhas na pele, recomenda-se realizar a testagem, que permite aos profissionais de saúde tomarem decisões rápidas e precisas.
“Os testes rápidos são importantes ferramentas para o diagnóstico precoce da dengue. Com a informação correta, o profissional de saúde pode indicar o melhor tratamento para o paciente. Como os sintomas podem ser similares aos de outras doenças febris, é difícil fazer uma distinção clara somente pela avaliação dos primeiros sinais. Por isso, é tão importante identificar o mais rápido possível qual o vírus e a doença para uma tomada de decisão ágil e assertiva”, explica Oscar Guerra, diretor médico da Divisão de Diagnósticos Rápidos da Abbott para a América Latina.
Hoje, existem diferentes tipos de testes para detectar a dengue e cada um possui um método e período que deve ser realizado. Entenda:
Teste de anticorpos IgM e IgG
Os testes de sorologia são amplamente utilizados e baseiam-se na detecção de anticorpos produzidos pelo sistema imunológico da pessoa em resposta à infecção pelo vírus da dengue. O anticorpo IgM geralmente se torna detectável 5 a 10 dias após o início da doença em casos de infecção primária de dengue e até 4 a 5 dias após o início da doença em infecções secundárias. Já o anticorpo IgG aparece no 14º dia e persiste por toda a vida em infecções primárias. Em infecções secundárias, os níveis de IgG aumentam 1 a 2 dias após o início dos sintomas e uma resposta de IgM é induzida 20 dias após a infecção.
Teste de NS1
O teste de antígeno NS1 tem como alvo uma proteína específica do vírus da dengue, chamada NS1 (antígeno não estrutural 1). Esse teste é particularmente sensível durante os primeiros dias da infecção, quando o vírus está se replicando ativamente no organismo, permitindo um diagnóstico precoce da dengue. A proteína NS1 está presente nos 4 sorotipos da dengue e o ideal é que ele seja feito na fase inicial da doença, após um dia do início da febre até o 9° dia.
RT-PCR
O teste de RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real) é uma técnica molecular altamente sensível e específica que desempenha um papel crucial na diferenciação dos quatro sorotipos do vírus da dengue. Ao detectar o material genético do vírus no sangue do paciente, o RT-PCR permite não apenas identificar a presença do vírus, mas também determinar qual dos quatro sorotipos está causando a infecção. Além disso, o RT-PCR é altamente sensível, sendo capaz de detectar o vírus mesmo em estágios iniciais da infecção, em alguns casos antes mesmo do surgimento dos sintomas clínicos.
Ainda, há testes rápidos (imunocromatográfica) tanto para anticorpos IgG e IgM quanto para antígeno NS1. Este tipo de teste pode ser realizado em serviços de saúde, por exemplo, farmácias e laboratórios que estejam autorizados a realizar testagem. No entanto, é necessário lembrar que a dengue é uma doença de notificação compulsória no Brasil, ou seja, todos os testes rápidos são de uso restrito a profissionais de saúde.
De acordo com Oscar, o uso dos testes NS1, IgM e IgG é essencial para o controle da disseminação da dengue. Quando utilizados em conjunto, ampliam a sensibilidade e/ou especificidade do diagnóstico clínico de acordo com sua interpretação, sejam realizados em série (primeiro o diagnóstico clínico e depois o teste) ou em paralelo (simultaneamente o diagnóstico clínico e o teste).
Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o teste BiolineTM Dengue Duo da Abbott para amostras obtidas por ponta de dedo, que chega ao mercado brasileiro em breve. Trata-se de um teste rápido desenvolvido para detectar o antígeno NS1 e os anticorpos IgG/IgM contra os 4 sorotipos do vírus em amostra de sangue total venoso ou de punção digital, soro ou plasma, permitindo identificar o vírus em qualquer fase da dengue entre 15 e 20 minutos.
Hidratação como parte do tratamento
Uma vez diagnosticado, o tratamento para os casos de dengue baseia-se, principalmente, na hidratação. De acordo com o Ministério da Saúde, a hidratação oral é fundamental e deve ser iniciada tão logo sejam detectados os primeiros sintomas. Por isso, as pessoas devem buscar ajuda médica o quanto antes.
“Um dos objetivos do tratamento da dengue é prevenir a desidratação’‘, explica Patrícia Ruffo, nutricionista e gerente científico da Abbott no Brasil. “A recomendação clínica é iniciar a hidratação oral das pessoas com suspeita de dengue ainda na sala de espera, enquanto aguardam pela consulta ou pelo resultado dos exames para auxiliar na hidratação e recuperação do indivíduo.”
Também é essencial manter a hidratação durante todo o período que a pessoa apresentar febre e por até 24-48 horas após a febre baixar.
Seis dicas para a reidratação
- Mantenha a pessoa sempre bem hidratada até o resultado dos exames, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.
- Monitore atentamente os sintomas de desidratação. Ela pode tornar a maioria das pessoas irritáveis e letárgicas, mas os sintomas podem variar de idade para idade. Os adultos podem apresentar tontura ou sentir sede, dor de cabeça, constipação ou pele seca e a urina pode ser mais escura e concentrada do que o normal, geralmente transparente ou de cor amarela muito clara.
- Para prevenir a desidratação, consuma nutrientes que podem auxiliar na hidratação, como eletrólitos e carboidratos, capazes de auxiliar o corpo a absorver qualquer líquido. Os eletrólitos, como sódio, cloreto, potássio, magnésio e cálcio são particularmente importantes, já que são indispensáveis para nervos e músculos saudáveis. Além disso, todos esses eletrólitos podem ser perdidos na transpiração.
- Esteja atento às suas opções de bebidas – nem todas oferecem os componentes necessários para uma hidratação adequada. A água de coco, por exemplo, tem proporção de 1:240 e o suco de maçã 1:40 na relação sódio: glicose.
- Priorize sua hidratação. A água é fundamental para regular a temperatura do corpo, de modo que a desidratação pode exacerbar uma febre existente. Nossos corpos são compostos de 2/3 de água, portanto, pequenas perdas no fluxo do corpo podem piorar o status de febre.
- Siga as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para diarreia e vômito, que podem causar perda significativa e imediata de líquidos e eletrólitos. A OMS recomenda soluções de eletrólitos orais para aliviar os sintomas associados à desidratação relacionada à gastroenterite aguda, um dos sintomas da dengue.