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Governo do Tocantins visita acervo das bonecas Ritxòkò da década de 40 no Museu Nacional dos Povos Indígenas

Secretária Narubia Werreria esteve com a Diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas, Fernanda Kaingáng, e da da museóloga e chefe do Serviço de Patrimônio Cultural e Arquitetônico, Munique Cardoso Cavalcante

por Ascom
15/04/2024
em Tocantins
Tempo de leitura: 4 minutos
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Respeitar e valorizar a cultura dos povos indígenas do Tocantins é um dos objetivos primordiais do Governo do Estado, por meio do trabalho da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot). Nesse intuito, a secretária da Sepot, Narubia Werreria, esteve no Rio de Janeiro em visita ao Museu Nacional dos Povos Indígenas, que reabriu nesta semana. Recebida pela diretora da instituição, Fernanda Kaingáng, Narubia visitou o acervo das bonecas Ritxòkò, formado a partir da década de 40, a coleção fundante do museu.

Argila, água e tintas extraídas de ucurum e ixarurina: essas são as bases para a confecção das bonecas Ritxòkò, feitas exclusivamente por mulheres da etnia Iny (lê-se Inã, povo também conhecido como Karajá), que estão presentes na Ilha do Bananal.

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Reconhecida mundialmente e sendo a única obra de arte índigena tombada como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2012, a boneca Karajá Ritxòkò apresenta características únicas, desde a pintura representativa das grafias corporais Karajá até os adornos que refletem a cultura local. Algumas bonecas contam lendas da comunidade ou retratam atividades do cotidiano, proporcionando uma experiência rica em significado.

Para a secretária Narubia Werreria, que também é indígena do povo Iny, afirmou que é  emocionante visitar o acervo onde está a memória do povo tocantinense, que conta com valor inestimável. Ela esteve em uma das três câmaras técnicas do povo Iny, que tem diversas peças, entre cerâmicas, plumárias, cestaria, armas, dentre outros. É o maior acervo do Museu Nacional dos Povos Indígenas. “Rever as bonecas das minhas ancestrais, que passaram pelas mãos delas, é uma experiência indescritível. Essas bonecas são item da nossa cultura, modo de ser, tradições,  rituais e a nossa visão. Essa é a nossa identidade”, comentou.

Acompanhada da museóloga e chefe do Serviço de Patrimônio Cultural e Arquitetônico, Munique Cardoso Cavalcante, a secretária, por ser indígena da etnia Iny, pode pegar os objetos com as mãos sem precisar utilizar luvas. Segundo Munique, os povos indígenas  da etnia também podem vestir as roupas e colocar as plumagens expostas. “Eles são os donos”, reforçou.

As bonecas que Narubia teve acesso são as Hakanas, as mais antigas que se tem história na Ilha do Bananal. A peça mais antiga do museu é de 1947. “As bonecas começaram a ser feitas com a argila que sobrava da fabricação de potes e panelas de argila. Desse material, as mulheres indígenas faziam bonequinhas pras meninas brincarem. E isso foi passado de geração em geração. E brincando as crianças aprendiam mais sobre a cultura e também sobre como exercer o poder feminino tão presente na cultura Iny”, destacou a secretária.

A diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas, Fernanda Kaingáng, ressaltou que a cultura dos povos indígenas é viva. “Essa cultura não pode ser descrita por terceiros. Nós somos culturas e nós falamos em primeira pessoa. A contribuição e o apoio, a parceria e a cooperação são essenciais para nós construirmos o museu que nós queremos”, disse.

Durante a visita, a secretária Narubia solicitou o envio de publicações do Museu Nacional dos Povos Indígenas para serem distribuídas aos povos indígenas e nas escolas públicas do estado do Estado do Tocantins. Para ela, o  pedido se faz necessário no sentido de aprofundar o debate em torno da busca da educação para todos. Representando espaço de interlocução, informação e formação para o público interessado, ela acredita que o material reafirma o ideal de incluir socialmente os indígenas. Além disso, a compreensão e o respeito pelo diferente e pela diversidade.

O Museu

O Museu Nacional dos Povos Indígenas, ligado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), preserva e divulga o patrimônio cultural dos povos indígenas no Brasil. Seu acervo inclui mais de 20 mil objetos contemporâneos de 150 povos, além de documentos históricos e bibliotecas especializadas. Além de conservar esses acervos, o museu realiza pesquisas antropológicas e linguísticas, em parceria com diversas instituições, visando à preservação e divulgação do patrimônio cultural indígena. A instituição também promove exposições físicas e virtuais, desenvolve bases de dados especializadas e publicações para ampliar o acesso à informação sobre as culturas indígenas. Seu objetivo principal é promover a revitalização das culturas e línguas indígenas, além de conscientizar a sociedade brasileira sobre sua importância.

O Museu Nacional dos Povos Indígenas foi inaugurado oficialmente no dia 19 de abril de 1953, em comemoração ao Dia do Índio Americano, como um setor da Seção de Estudos do SPI – Serviço de Proteção aos Índios. O SPI, criado em 1910 por Marechal Rondon, foi a agência responsável pela assistência aos índios até 1967, quando foi criada a Funai.

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