A oferta restrita e a necessidade de reposição por parte das indústrias mantiveram os preços do arroz em casca em recuperação no Rio Grande do Sul ao longo de agosto, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Com isso, a média mensal de R$ 74,25 a saca de 50 quilos, do indicador Cepea/Irga-RS, atingiu o maior patamar, em termos nominais, desde abril do ano passado.
No dia 31 de agosto, a cotação estava em R$ 78,37 a saca, acumulando alta mensal de 14,19%. Neste início de setembro, a tendência de avanço nos preços continua, com o indicador alcançando R$ 78,62 a saca, aumento diário de 0,32%.
De acordo com pesquisadores do Cepea, as indústrias enfrentaram dificuldades para adquirir os volumes necessários à composição dos estoques, diante da retração dos fornecedores. Com isso, compradores reajustaram suas ofertas em diferentes momentos e, em algumas negociações, buscaram condições alternativas, como o alongamento dos prazos de pagamento, para viabilizar novos negócios. Os produtores, por sua vez, permaneceram firmes nas pedidas, sustentados pela expectativa de continuidade da valorização.
Com o avanço das cotações, contudo, aumentou a resistência de parte das indústrias em atender aos valores pretendidos pelos produtores. Segundo o Cepea, agentes relataram dificuldade em repassar ao arroz beneficiado os reajustes observados na matéria-prima, o que reduziu o espaço para novas altas nas ofertas de compra. A divergência entre as expectativas de compradores e vendedores limitou as negociações em diferentes momentos do mês.
Ainda de acordo com o Cepea, nos últimos dias do mês foi registrado aumento da disponibilidade de arroz em casca em parte das regiões acompanhadas, o que permitiu, inclusive, a negociação de lotes maiores. A maior oferta, porém, não resultou em recuo das cotações. Além da firmeza dos produtores, a demanda internacional ganhou relevância, sobretudo nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande. O interesse externo levou compradores a elevar os valores propostos em determinados lotes e deu novo suporte aos preços.
Além disso, há uma perspectiva de menor produção de arroz em 2027. Nesta semana, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou estimativa afirmando que as lavouras de arroz gaúchas devem ocupar 861,7 mil hectares na safra 2026/27, uma redução de 3,4% em relação aos 891,9 mil hectares plantados na temporada 2025/26. No último ciclo, a semeadura do cereal no Estado já havia caído 8,06%.





