Produzir também exige acompanhar o que acontece fora da porteira. Leis, políticas públicas e decisões administrativas podem mudar diretamente as condições para investir, produzir, gerar empregos e promover o desenvolvimento no campo.
Por isso, a Aprosoja Tocantins reforça a importância da participação dos produtores rurais nos debates que envolvem o setor e do fortalecimento de sua representação nos espaços onde essas decisões são construídas.
Essa participação não se limita ao período eleitoral. Ela também acontece por meio das entidades representativas, que recebem as demandas do campo, organizam propostas e fazem a interlocução com o poder público.
O diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, explica que esse processo começa com a participação dos próprios produtores.
“O trabalho da Aprosoja é, em essência, um trabalho político. As demandas defendidas pela entidade são construídas a partir da base, com a participação dos produtores, e transformadas em propostas técnicas que são levadas aos parlamentares, ao governo e, quando necessário, ao Judiciário. É dessa forma que conseguimos transformar as necessidades de quem está no campo em pautas concretas nos espaços onde as decisões são tomadas”, destaca.
Entre os assuntos que atualmente mobilizam o setor, Fabrício cita a implementação da Reforma Tributária, a renegociação das dívidas dos produtores e as discussões relacionadas à legislação trabalhista.
Para o produtor rural e associado da Aprosoja Tocantins, Arnardino Gabriel (Dino), acompanhar essas discussões também faz parte da própria atividade rural. Segundo ele, decisões tomadas pelo poder público têm reflexos sobre diferentes aspectos da produção e tornam necessário que o setor esteja organizado e representado.
“Não precisamos transformar o produtor em político, nem pensar todos da mesma maneira ou apoiar as mesmas pessoas. Mas precisamos entender que não participar da política não significa ficar fora dos seus efeitos. Quem produz precisa acompanhar, debater e fortalecer suas entidades, porque, quando o produtor se organiza, sua voz ganha força”, afirma.
Representatividade a partir da experiência no campo
O produtor rural Dari Fronza, ex-presidente da Aprosoja Tocantins e candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), considera que a representação política do agro precisa estar acompanhada do conhecimento sobre a realidade da atividade.
“Não basta dizer que é do agro. É preciso conhecer a essência da agricultura e da pecuária e a realidade de quem está no campo. Existe a necessidade de termos representantes que conheçam de perto esses setores e compreendam suas demandas”, pontua.
Dari aponta infraestrutura, logística e disponibilidade de energia entre os desafios que precisam avançar para acompanhar o crescimento do Tocantins e favorecer a chegada de novos investimentos e agroindústrias ao estado.
A necessidade de aproximar as decisões políticas da realidade de quem produz também é defendida por Maurício Buffon, que se licenciou da presidência da Aprosoja Brasil em junho deste ano para disputar uma vaga de deputado federal pelo Tocantins pelo Partido Liberal (PL).
“Muitas vezes, as leis e normas são elaboradas sem que se conheça, de fato, como funciona o dia a dia de uma propriedade rural ou de uma empresa. Questões fundiárias, ambientais e tributárias têm impactado diretamente quem produz, e isso reforçou em mim a importância de participar da política e contribuir com esse debate”, afirma Buffon.
Para a Aprosoja Tocantins, ampliar a participação dos produtores e fortalecer as entidades representativas são caminhos para aproximar cada vez mais a realidade do campo dos espaços onde são construídas as políticas públicas. A participação organizada permite que desafios vivenciados nas propriedades sejam transformados em pautas coletivas e contribuam para decisões mais alinhadas às necessidades do setor produtivo.







