A Conmebol afirmou nesta quinta-feira (6/8) que a presidência da Fifa deve ser definida apenas pelo processo eleitoral previsto nos estatutos da entidade. Em meio à pressão da UEFA por mudanças, a confederação sul-americana disse que não dará apoio a qualquer tentativa de alteração fora dos mecanismos oficiais.
“A Conmebol não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais”, disse a entidade em nota.
A manifestação acontece em um momento delicado para Gianni Infantino. O presidente da Fifa perdeu apoio ao apresentar a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), projeto que previa a entrada de investidores privados em uma estrutura ligada às receitas das principais competições da entidade.
A proposta abriu uma disputa interna dentro do futebol mundial. A Uefa foi a principal voz contrária ao plano e passou a pressionar por mudanças na condução da Fifa.
A posição da Conmebol não representa uma defesa direta da permanência de Infantino, mas reforça que uma eventual troca no comando da Fifa deve acontecer pelo caminho eleitoral. O próximo presidente será escolhido pelo Congresso da entidade e terá pela frente o ciclo que inclui a preparação da Copa do Mundo de 2030.
Confira a nota na íntegra:
“Diante dos acontecimentos que afetam a família do futebol, o Conselho da CONMEBOL, reunido nesta data, celebra a decisão da FIFA de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise.
O Conselho manifesta, de forma unânime, sua preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação.
Em questão de dias, o futebol passou de ocupar o centro das atenções mundiais em razão da realização de um extraordinário evento esportivo para concentrar o debate público em temas relacionados à sua governança.
Há mais de dez anos, a FIFA promoveu uma ampla reforma de seus Estatutos com o objetivo de fortalecer a institucionalidade, a transparência e a boa governança, estabelecendo procedimentos claros e mecanismos específicos para solucionar controvérsias que possam surgir no âmbito da família do futebol, garantindo o devido processo e o respeito às normas que regem nossa organização.
Esse marco institucional constitui uma garantia para todos. Por isso, aqueles que têm a responsabilidade de conduzir nossas organizações devem sempre privilegiar o diálogo, o respeito às normas e a construção de consensos. Quando esses princípios são deixados de lado, perde o futebol e perdemos todos.
O FUTEBOL É DE TODOS.
Seu futuro somente pode ser construído com base no respeito à institucionalidade, à governança e aos procedimentos democráticos que representam as 211 Associações Membro da FIFA.
No próximo 18 de novembro de 2026 será encerrado o prazo para a apresentação de candidaturas à Presidência da FIFA. Posteriormente, o Congresso da FIFA elegerá, por meio do voto de suas 211 Associações Membro, a pessoa que terá a responsabilidade de conduzir a organização no próximo mandato, incluindo a organização da Copa do Mundo Centenária da FIFA 2030.
Consequentemente, a CONMEBOL não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais.
O Conselho da CONMEBOL faz um chamado à preservação da unidade da família do futebol, à atuação com responsabilidade institucional, ao fortalecimento do diálogo e ao pleno respeito aos mecanismos de governança.
Porque, acima de qualquer diferença,
O FUTEBOL VEM EM PRIMEIRO LUGAR.”







