A divisão de ciências agrícolas da alemã Bayer, que inclui defensivos agrícolas e biotecnologias para sementes, registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 861 milhões de euros no segundo trimestre de 2026. Em igual período do ano passado, a companhia havia reportado Ebitda negativo de 564 milhões de euros, segundo comunicado de resultados divulgado pela empresa nesta terça-feira (04/08).
O Ebitda antes de itens extraordinários, como recursos para reestruturação e riscos de litígio, atingiu 902 milhões de euros, 30,2% acima dos 693 milhões de euros contabilizados há um ano. A margem Ebitda antes de itens extraordinários aumentou 3,9 pontos percentuais, para 18,4%.
As vendas da divisão agrícola cresceram 2,5% no segundo trimestre de 2026, chegando a 4,910 bilhões de euros, reflexo de um incremento de 2,6% no volume vendido e de 0,9% no preço, que contrabalançaram parcialmente a queda de 0,7% com o câmbio.
Na América Latina, região com o terceiro maior volume de vendas de produtos para agricultura, a companhia registrou o maior incremento de receita no trimestre, 6,4%, para 965 milhões de euros, com volumes maiores que contrabalançaram uma queda da receita com sementes de vegetais na região.
A América do Norte, que tem a maior receita da divisão, registrou aumento de 0,3% das vendas no segundo trimestre, para 2,269 bilhões de euros. Na sequência, a região de negócios que compreende Europa, Oriente Médio e África registrou vendas de 1,056 bilhão de euros, 3,4% maior do que um ano antes. As vendas agrícolas na Ásia e Pacífico foram 3,7% maiores, com 620 milhões de euros.
No comunicado, a Bayer disse que as vendas maiores da divisão foram impulsionadas principalmente pela comercialização de herbicidas à base de glifosato (+12,6%) e pelos negócios de sementes e características genéticas de soja (+14,8%), sementes de algodão (+63,7%) e inseticidas (+11,7%). Já as vendas de sementes e características genéticas de milho apresentaram ligeira queda (-3,5%) em relação ao mesmo período do ano anterior.
Quanto ao Ebitda antes de itens especiais da divisão agrícola, a companhia atribuiu o crescimento do trimestre principalmente ao aumento das vendas e à redução “substancial” no custo dos produtos vendidos, impulsionada por programas de eficiência. Em contrapartida, a empresa reportou um efeito cambial negativo de 42 milhões de euros.
Previsão 2026
A Bayer manteve suas estimativas de vendas e Ebitda antes de itens extraordinários da divisão agrícola em 2026 divulgadas no primeiro trimestre, na faixa de 45 bilhões a 47 bilhões de euros, no primeiro caso, e de 9,6 bilhões a 10,1 bilhões de euros, no segundo.
Considerando as taxas de câmbio de fechamento em 30 de junho de 2026, em vez de 31 de março de 2026, a empresa considera uma variação dos efeitos cambiais nos indicadores para a faixa de 44,7 bilhões a 46,7 bilhões de euros no caso da receita da área, e estima de 9,4 bilhões a 9,9 bilhões de euros para o Ebitda antes de itens especiais.
“Continuamos a esperar que o mercado global de sementes e proteção de culturas permaneça estável ou registre uma expansão modesta em 2026. No entanto, o ambiente de mercado continua a ser marcado por alta volatilidade, incertezas geopolíticas, aumento dos custos dos insumos e dificuldades financeiras no setor agrícola”, afirmou a Bayer no comunicado.
A empresa também prevê que a pressão sobre os preços devido à intensa concorrência com fornecedores de produtos genéricos continuará.
“Esperamos que o segmento de sementes e características genéticas apresente um crescimento moderado, impulsionado pela expansão das áreas plantadas com milho na América Latina, pelas intenções de plantio de milho consistentemente altas nos Estados Unidos”, disse a empresa citando ainda demanda por outros produtos. “Permanecem incertezas em relação aos desenvolvimentos geopolíticos e possíveis efeitos relacionados ao clima, por exemplo, em conexão com o El Niño”, disse a empresa.
No consolidado de todas as áreas de atuação, a Bayer registrou lucro líquido de 219 milhões no segundo trimestre de 2026, montante que se compara ao prejuízo líquido de 199 milhões de euros reportado em igual período do ano passado.
As vendas líquidas no trimestre encerrado em junho somaram 10,872 bilhões de euros, 1,2% acima dos 10,739 bilhões de euros contabilizados no segundo trimestre do ano passado e 2,2% maior na comparação anual considerando ajustes de câmbio e de portfólio.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) antes de alguns itens somou 2,144 bilhões de euros, 1,9% superior aos 2,105 bilhões de euros registrados há um ano.







