Termina nesta terça-feira (2/6) o prazo para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) devem ser investigados no mesmo inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) junto a autoridades nos Estados Unidos (EUA).
No último dia 25 de maio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestasse sobre a questão em até cinco dias úteis. O Ministério Público foi intimado sobre a decisão de Moraes na terça-feira passada (26/5).
A manifestação atende a pedido para ampliar os alvos da investigação, feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) dia 18/5, para que Flávio e Bolsonaro sejam incluídos no inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro por coação e tentativa de obstrução de Justiça.
Veja pedidos de Lindbergh
- Ampliação dos investigados: inclusão de Flávio Bolsonaro e de Jair Bolsonaro no inquérito, com foco nas conexões envolvendo o financiamento do filme Dark Horse;
- Medidas contra Flávio: pedido de imposição de cautelares, como apreensão do passaporte, proibição de deixar o país e bloqueio de bens e valores;
- Rastreamento financeiro nacional: requisição de dados ao Coaf, ao Banco Central (BC), à CVM e à Receita Federal para identificar fluxos de dinheiro suspeitos envolvendo os investigados, produtoras e o Banco Master;
- Cooperação com os EUA:pedido de assistência jurídica internacional para buscar registros financeiros, fiscais e de lobby nos Estados Unidos ligados ao filme e à atuação de Eduardo Bolsonaro;
- Investigação de novos crimes: apuração de supostos delitos adicionais, incluindo lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, caixa paralelo, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Filme
Em sua notificação à PGR, Moraes citou o pedido feito pelo deputado petista, que fala da possível conexão entre o financiamento do filme Dark Horse, que trata da cinebiografia do ex-presidente, e os valores negociados por Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Para o magistrado, conforme a petição feita por Lindbergh Farias, o dinheiro poderia ter sido usado para a “atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, a campanha de sanções contra autoridades brasileiras, as restrições de vistos, as tarifas contra setores produtivos nacionais e a tentativa de coação no curso do processo para obter a anistia de Jair Messias Bolsonaro e demais condenados nos processos da trama golpista”.
Conspiração nos EUA
Na última semana, Gonet pediu a condenação de Eduardo no Inquérito nº 4.995. Para o PGR, o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para que sanções fossem impostas a autoridades brasileiras e tarifas aplicadas contra o Brasil.
Na petição ao STF, Lindbergh pede a ampliação do escopo da investigação para incluir fatos recentes relacionados ao filme Dark Horse. O deputado sustenta que há “fortes indícios” de que os recursos negociados para financiar o longa possam ter sido usados, total ou parcialmente, para custear a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro contra autoridades brasileiras.
A petição afirma que a inclusão de Jair Bolsonaro no inquérito ocorre, “ao menos inicialmente”, por ele ser apontado como beneficiário direto ou indireto dos fatos investigados.
Segundo Lindbergh, tanto o filme quanto a ofensiva internacional conduzida por Eduardo teriam como objetivo reconstruir a imagem política do ex-presidente e pressionar por anistia aos envolvidos na trama golpista.
O documento também cita reportagens publicadas em maio de 2026 que revelaram negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa sobre Jair Bolsonaro. Segundo a petição, os valores discutidos variariam entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões.







