A descoberta de mutações genéticas associadas ao câncer, como BRCA1 e BRCA2, fez crescer o debate sobre cirurgias preventivas, como a retirada das mamas e dos ovários. Apesar de os procedimentos reduzirem de forma significativa o risco da doença, especialistas alertam que eles não eliminam totalmente a possibilidade de desenvolvimento do câncer.
Segundo os médicos ouvidos pelo Metrópoles, a decisão deve ser individualizada e envolve fatores como histórico familiar, idade, desejo reprodutivo e acompanhamento especializado.
O que são os genes BRCA e por que eles aumentam o risco de câncer?
Os genes BRCA1 e BRCA2 têm a função de reparar danos no DNA e proteger o organismo contra o crescimento desordenado das células. Quando apresentam mutações hereditárias, o risco de desenvolvimento de câncer aumenta consideravelmente, principalmente para mama e ovário.
A oncologista Roberta Galvão, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que mulheres com essas mutações podem ter um risco muito maior de desenvolver a doença ao longo da vida.
“Na população geral, o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama gira em torno de 12%. Já em mulheres com mutações em BRCA1 ou BRCA2, esse risco pode chegar a aproximadamente 60% a 80%”, afirma.
Ela ressalta que um teste genético positivo não significa necessariamente que a pessoa terá câncer. “Genética não é destino, é informação para tomada de decisão”, destaca.
Quando a mastectomia e a retirada dos ovários são indicadas?
A mastectomia preventiva costuma ser indicada principalmente para pacientes com mutações genéticas associadas ao câncer hereditário.
“A mastectomia preventiva diminui cerca de 90% o risco de desenvolver câncer de mama, mas não o impede completamente”, afirma o mastologista Alexandre Bravin, do Hospital Anchieta, em Brasília.
Segundo o médico, a retirada dos ovários também pode ser recomendada em alguns casos porque reduz a produção hormonal ligada ao crescimento de tumores mamários.
A oncologista Roberta lembra que a retirada preventiva dos ovários é considerada uma das principais estratégias de prevenção para câncer de ovário, já que ainda não existem exames eficazes de rastreamento para a doença.
Cirurgia não elimina totalmente o risco
Apesar da redução expressiva do risco, os especialistas alertam que as cirurgias preventivas não oferecem proteção absoluta. Isso acontece porque pequenas quantidades de tecido mamário ou células microscópicas podem permanecer no organismo.
“Mesmo após a cirurgia, a paciente precisa manter acompanhamento porque fica um pouco de tecido mamário e são pacientes de risco elevado”, alerta Bravin.
Além disso, os procedimentos também envolvem possíveis complicações, como infecção, hematomas, dor, perda de sensibilidade e necessidade de novas intervenções cirúrgicas.
Mesmo com os avanços da oncogenética e das cirurgias preventivas, especialistas reforçam que não existe uma solução capaz de zerar completamente o risco de câncer. A principal vantagem dessas estratégias está na redução significativa das chances de desenvolver a doença e na possibilidade de diagnóstico precoce em pacientes de alto risco.
Por isso, médicos destacam que a decisão sobre realizar mastectomia preventiva ou retirada dos ovários deve ser tomada com acompanhamento especializado, avaliação individualizada e informação clara sobre benefícios, limitações e possíveis impactos físicos e emocionais dos procedimentos.






