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Home Agricultura e Pecuária

Frigoríficos que mais dependem da China devem reduzir ritmo após cota

Empresas não descartam parada de linhas de produção nem demissões

por Globo Rural
25/05/2026
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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Frigoríficos brasileiros com maior exposição para a China vão reduzir o ritmo de abate de bovinos e produção de carne bovina para se adaptar à nova realidade do mercado quando a cota se esgotar.

No Pará, a situação é mais delicada. Sem autorização para exportar para os Estados Unidos, segundo maior cliente do Brasil, e outros destinos importantes, como Chile e União Europeia, há previsão de demissões.

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A China representa 77% das exportações dos frigoríficos paraenses. O Estado tem o segundo maior rebanho bovino do país. Em 2025, as vendas externas totais foram de 222 mil toneladas. Oito plantas são habilitadas para embarcar aos chineses. Outras 12 operam no mercado interno e para outros destinos. Sem o mercado chinês, o faturamento deve recuar até 40% em 2026.

A Mercúrio Alimentos, que tem duas plantas habilitadas para a China em Castanhal e Xinguara, no Pará, vai dispensar 197 funcionários em breve. As linhas de abate já foram reduzidas em 35% desde o início do ano, pois a companhia não tem as mesmas válvulas de escape para exportação que outras empresas.

“Vamos ajustar a produção para atender a realidade do que nós temos de mercado, que é o Brasil e outros países que estão comprando muito pouco. E no Pará não temos os Estados Unidos, não temos Europa, não temos México, não temos Chile. Então esse é um desafio maior”, lamentou Daniel Freire, CEO da empresa.

As empresas paraenses têm pedido ao Ministério da Agricultura para obter o aval para esses outros destinos. Recentemente, o tema foi debatido em reuniões em Washington, nos EUA, mas ainda não houve aceite do governo americano.

O Pará foi zona tampão de outras regiões para a febre aftosa por muitos anos e, por isso, ficou para trás nas negociações sanitárias com os importadores. Agora, no entanto, todo território brasileiro é reconhecido como livre da doença sem vacinação e o Pará quer fazer valer esse status sanitário.

“Não há nada que justifique ficarmos fora desses mercados”, avaliou Freire, que também é presidente do Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados do Pará (Sindicarne-PA).

A Iguatemi Beef, de Mato Grosso do Sul, montou toda a sua operação para a exportação com o impulso dado pela China para a pecuária nacional mudar de patamar. Mais de 80% da produção vai para o mercado chinês. Há possibilidade de dar férias coletivas aos funcionários em algum momento, mas o foco imediato é incrementar vendas a países da América Latina e do Oriente Médio, além dos EUA.

“Formamos grandes indústrias dentro do mercado brasileiro. Temos talvez as indústrias mais modernas do mundo e nós temos a melhor condição são sanitária do mundo. E a pecuária brasileira tem que agradecer aos chineses com a exigência do boi mais jovem”, avaliou Marcos Alexandre Domingues, presidente da empresa.

Com produtividade melhor e seu maior cliente fidelizado, é hora de focar na promoção comercial para agregar valor ao produto brasileiro na China, disse o executivo.

“Queremos, cada vez mais, mostrar para as donas de casa chinesas como se prepara a carne brasileira, o tempero brasileiro. Nós vamos agora, provavelmente, fazer um investimento para mostrar essa condição, que vai gerar um incremento”, apontou.

A média de consumo de carne bovina na China está próxima de oito quilos per capita por ano. “Se essa média aumentar em um quilo por ano, imagina como ficará a demanda. Temos que nos preparar. A demanda vai ser cada vez maior e nós também temos que fazer a nossa parte, do trazer e mostrar a condição, a qualidade e sanidade”, completou.

O Brasil não tem que ter medo de habilitar mais. Temos boi demais, temos frigorífico demais, temos frigoríficos menores que tão crescendo, todo mundo investindo”

— Sandro Oliveira, presidente da Supremo Carnes

Sandro Oliveira, presidente da Supremo Carnes, por outro lado, sente a ausência da China nos seus negócios. Ele ainda tenta habilitar uma das suas plantas para entrar no mercado chinês. A unidade de Carlos Chagas, no nordeste de Minas Gerais, está na lista de 20 frigoríficos que o Ministério da Agricultura apresentou ao governo chinês nesta semana para buscar o aval.

Ele tenta a habilitação desde 2018 e tem renovado documentações e licenças, com custo alto, desde então para se manter apto ao aceite chinês.

A companhia faturou R$ 1,5 bilhão em 2025. A abertura para a China, no entanto, pode significar uma “virada de chave”, com possibilidade de dobrar a receita no curto prazo. Isso porque duas plantas da Supremo estão paradas atualmente. Elas estão localizadas em regiões onde existem outros frigoríficos habilitados para os chineses, o que afeta o mercado local do boi.

“Outros frigoríficos habilitados conseguem pagar um prêmio para o pecuarista que eu, se pagar, não tenho a mesma rentabilidade, então meu resultado fica ruim”, lamentou.

O plano é obter a habilitação, faturar mais com a China e investir nas plantas atualmente fechadas para tentar habilitá-las também. “O Brasil não tem que ter medo de habilitar mais. Temos boi demais, temos frigorífico demais, temos frigoríficos menores que tão crescendo, todo mundo investindo”, completou.

*O jornalista viajou a convite da Abiec

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