Muita gente afere e acompanha a própria pressão arterial em casa, porém pequenos hábitos podem distorcer o resultado e gerar preocupação desnecessária, ou até mascarar um quadro de hipertensão. Falar, cruzar as pernas, medir logo após o café ou usar aparelhos inadequados estão entre os erros mais frequentes.
Segundo especialistas, a pressão arterial precisa ser medida em condições específicas para refletir o estado real do organismo. Caso contrário, os números podem subir temporariamente e confundir tanto pacientes quanto médicos.
Falar, mexer no celular e cruzar as pernas podem alterar a pressão
A rotina corrida faz muita gente medir a pressão arterial sem o preparo adequado. O problema é que atitudes aparentemente inofensivas interferem diretamente no resultado.
O cardiologista Carlos Nascimento, do Hospital Brasília Águas Claras, explica que conversar, usar o celular ou ficar agitado durante a medição pode elevar temporariamente os níveis da pressão e gerar medidas falsamente altas.
“Muita gente acredita que medir a pressão em qualquer momento do dia é suficiente, mas fatores simples podem alterar bastante o resultado e até gerar preocupação desnecessária”, afirma.
O especialista destaca que o ideal é permanecer sentado, em silêncio e relaxado por pelo menos cinco minutos antes da aferição. Além disso, o braço deve estar apoiado na altura do coração e os pés precisam permanecer no chão.
Já o cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, alerta que até a posição do corpo interfere na circulação sanguínea. “Cruzar a perna comprime as artérias e aumenta a resistência, fazendo com que o coração tenha que trabalhar mais”, explica.
Café, cigarro e exercícios físicos podem distorcer o resultado
Outro erro comum é medir a pressão arterial logo após atividades que estimulam o sistema cardiovascular. Café, cigarro, exercício físico e situações de estresse podem elevar temporariamente os níveis da pressão.
Conforme recomenda Nascimento, o ideal é evitar esses fatores pelo menos 30 minutos antes da aferição. “A pressão arterial é dinâmica. Ela varia ao longo do dia conforme emoções, alimentação, esforço físico e até a qualidade do sono”, destaca.
Cals acrescenta que ansiedade, tensão emocional e até falar durante a medição alteram a frequência cardíaca e podem influenciar o resultado naquele momento.
Além disso, os especialistas reforçam que se a pessoa estiver com a bexiga cheia ou sem repouso adequado, a confiabilidade da aferição da pressão também será reduzida .
Aparelhos também podem influenciar o resultado
Apesar da popularidade dos aparelhos de pulso, os modelos de braço continuam sendo os mais indicados pelas diretrizes médicas. Isso porque sofrem menos interferência da posição corporal.
Os cardiologistas afirmam que o manguito – faixa colocada no braço de quem terá a pressão aferida- deve ser usado diretamente sobre a pele do paciente e seu tamanho precisa ser compatível com a circunferência do braço.
Além disso, a recomendação é escolher aparelhos validados pelo Inmetro e procurar avaliação médica sempre que houver dúvidas ou quando a pressão arterial permanecer repetidamente acima de 14 por 9, especialmente se houver sintomas como dor no peito, falta de ar, tontura, visão embaçada ou dor de cabeça intensa.







