Interlocutores do presidente aconselham Lula a, primeiro, ter uma conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável, na visão do governo, pela rejeição do nome de Jorge Messias em votação no plenário da Casa.
Messias teve 42 votos pela rejeição de sua indicação, e apenas 34 a favor — sete a menos do que os 41 necessários para sua aprovação.
Lula, porém, segue resistindo a se encontrar com Alcolumbre. Eles estiveram juntos na posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, mas apenas se cumprimentaram formalmente.
Sentaram lado a lado, mas Lula praticamente não olhou para o presidente do Senado durante a cerimônia. Segundo presentes, o clima entre eles não está nada bom.
O presidente considera que a rejeição de Jorge Messias foi uma derrota do governo, e não do advogado-geral da União.
Promessa
Por isso, estaria disposto a reenviar o nome dele. Em conversa com Messias, Lula disse a seu ministro que, um dia, ele ainda será ministro do STF, principalmente se ele for reeleito presidente da República.
A fala foi entendida como uma promessa de que, num eventual quarto mandato, quando terá pelo menos duas indicações a fazer — nos lugares dos ministros Luiz Fux e Cármen Lúcia —, ele encaminharia o nome de Messias novamente.
Mas, nos últimos dias, assessores disseram que ele estaria analisando reenviar o nome do ministro da AGU antes mesmo das eleições deste ano, quando disputa o quarto mandato como presidente da República.
Seria uma forma de dobrar a aposta. O risco de derrota, segundo aliados, poderia ser usado como arma durante a campanha eleitoral. O problema seria para Messias, de como ele iria absorver uma segunda derrota.







