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Home Agricultura e Pecuária

Brasil e China podem negociar mais carne bovina, mesmo com cota

Evento reuniu empresários de 21 frigoríficos brasileiros que exportam carne para a China e representantes de 50 companhias importadoras

por Globo Rural
14/05/2026
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 4 minutos
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Foto: Getty Images

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Exportadores brasileiros e importadores chineses de carne bovina reforçaram, nesta quinta-feira (14/5), a importância da relação comercial entre os dois países e sinalizaram que há espaço para expandir os negócios, mesmo diante das incertezas do mercado por conta da cota estabelecida pelo governo da China a partir deste ano.

Durante o evento The Beef and Road, promovido pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em Chongqing, no sudoeste da China, os dois lados se mostraram otimistas e disseram que há oportunidades para aumentar as negociações.

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O Brasil reafirmou sua capacidade de produção para pronto atendimento à demanda crescente da China. Já os chineses elogiaram a qualidade do produto brasileiro, ressaltaram que o consumo está em expansão e que o atendimento à demanda depende de um fornecedor estratégico e confiável.

O evento reuniu empresários de 21 frigoríficos brasileiros que exportam carne para a China e representantes de 50 companhias importadoras. As empresas são, na maioria, traders, que compram o produto brasileiro e revendem para as indústrias locais. Um balanço oficial dos negócios prospectando nas rodadas entre vendedores e compradores será divulgado em breve pela Abiec.

“Essa é uma iniciativa que simboliza não apenas a força da carne bovina brasileira no mercado chinês, mas principalmente a construção de uma parceria sólida, estratégica e de longo prazo entre Brasil e China”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Abiec, durante a abertura do evento.

Segundo ele, a presença maciça de exportadores demonstrou o compromisso da indústria brasileira em ampliar relações, gerar negócios e fortalecer a conexão com o mercado chinês, mesmo diante de limitações legais e tarifárias.

No fim de semana, o Ministério do Comércio chinês (Mofcom, na sigla em inglês) anunciou que o Brasil já preencheu 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina prevista para esse ano. Quando atingir os 100%, as exportações serão tarifadas em 55%.

Perosa ressaltou, no entanto, que a parceria com a China vai “além dos números”. É construída com “confiança, previsibilidade, qualidade e diálogo permanente”. Ele destacou também que o evento possibilita aos frigoríficos brasileiros captarem novos clientes para negócios futuros. Com a iminência da ocupação da cota, por exemplo, alguns contatos já prospectam vendas para o último trimestre do ano, quando os abatedouros retomarão embarques dentro do volume autorizado para 2027.

“O Brasil entende a importância estratégica do mercado chinês e segue trabalhando para atender, com excelência, às demandas dos consumidores, importadores e parceiros locais”, acrescentou. “O que nos traz aqui é o olhar para o futuro. Temos convicção de que a parceria entre Brasil e China continuará crescendo nos próximos anos. Há espaço para ampliar negócios, desenvolver novos canais, fortalecer o food service, o varejo e construir novas oportunidades para os dois países”, concluiu Perosa.

Visão dos chineses

Zhang Kui, inspetor de segundo nível da Comissão Municipal de Comércio de Chongqing, disse que a escolha da cidade para o evento “é um reconhecimento em relação ao nível de abertura e à capacidade de consumo”.

“Acreditamos que Chongqing pode servir como polo industrial importante para a inspeção da rota de carne bovina brasileira na China”, afirmou.

Mark Zang, CEO da JinShangXu International, uma das principais tradings importadoras de carne bovina brasileira de Chongqing, ressaltou que o comércio global da proteína passa por uma reestruturação, mas que o Brasil manterá sua posição de competitividade nas vendas para a China. A família Zang foi pioneira na importação de carne nessa região do país.

Ele comentou o desafio do cumprimento da cota a partir deste ano e citou até a possibilidade de retorno dos Estados Unidos ao fornecimento da proteína aos chineses.

Nesta quinta-feira (14/5), o governo chinês renovou as licenças de exportação de quase 400 frigoríficos americanos, suspensas em março de 2025, durante a passagem do presidente Donald Trump em Pequim. Pouco tempo depois, no entanto, as autorizações apareciam como “expiradas” no site oficial da administração-geral de alfândegas (GACC, na sigla em inglês). A cota americana é de 164 mil toneladas e a ocupação segue praticamente zerada por conta desse cenário.

Para Zang, o eventual retorno dos EUA “não altera o papel estratégico da carne brasileira no mercado chinês”. Segundo ele, a liderança do país na produção e exportação da proteína reflete “vantagens estruturais de longo prazo do Brasil”, disse.

“Na indústria de carne, a liderança permanece a quem é capaz de fornecer de forma estável, rastreável e sustentável no longo prazo”, reforçou. “Por isso, o Brasil representa a parceria mais estratégica da China na importação de carne bovina”, concluiu.

Promoção e resultados

Laudemir Müller, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), lembrou que o embarque de carne bovina do Brasil para a China passou de 100 mil toneladas há 10 anos para quase 1,7 milhão de toneladas em 2025.

“Temos uma relação muito privilegiada com a China, mas sabemos dos desafios e da complexidade dessa relação. A China consome 11 milhões de toneladas de carne bovina e produz 8 milhões de toneladas. O Brasil vai continuar sendo parceiro estratégico da China na segurança alimentar”, disse.

Segundo ele, o Brasil manterá o padrão de qualidade, a estabilidade no fornecimento, a capacidade de resposta e a escala de produção para ser um “parceiro estável”. “Ouvimos dos próprios chineses que Brasil e China estão no melhor momento da relação bilateral”, acrescentou.

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