A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia pelo uso de antibióticos foi encarada como uma medida “exagerada, dura e desproporcional” nas palavras de uma pessoa que acompanha o tema de perto na Europa.
Segundo ela, o Brasil mantinha tratativas com os europeus sobre o tema desde 2023, quando o regulamento local sobre uso de antibióticos foi aprovado. Já havia uma expectativa, no setor e no governo, de que haveria alguma dificuldade com a carne bovina, cadeia mais complexa de rastrear os usos desses insumos nos animais, a partir de setembro deste ano. A eventual proibição dos demais produtos, como frango, mel e pescados, no entanto, não estava no radar e foi classificada como “brutal e sumária”.
Isso porque o Brasil apresentou garantias de cumprimento dos requisitos aos europeus para essas cadeias em outubro do ano passado. Desde lá, não houve apontamentos da parte europeia sobre as sugestões de mecanismos de controle e comprovação dos exportadores de carne de frango, pescados e mel. Sem essa resposta prévia, a avaliação era que os termos seriam aceitos.
Já para a carne bovina, a leitura era que haveria empecilhos. As características da cadeia pecuária no Brasil dificultam a rastreabilidade completa do uso desses insumos, pois um animal pode passar por diversas propriedades, nas várias fases de produção (cria, recria, engorda) até chegar ao frigorífico. Um protocolo foi sugerido e rejeitado, com a indicação de necessidade de mais controles.
“O Brasil ser retirado totalmente da lista é de uma brutalidade enorme. Havia condições de manter mel, pescados e frango neste momento”, afirmou, sob anonimato. A avaliação de quem trabalha no tema é que o “pior cenário” imaginado até então era a exclusão apenas da carne bovina.
“É uma medida dura e desproporcional em vista do diálogo que tínhamos com eles. Houve uma ação brutal e sumária”, completou.
Nesta quarta-feira (13/5), representantes da diplomacia brasileira se reuniram em Bruxelas com a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da UE. Os europeus enviarão listas com as pendências apontadas para cumprimento das garantias adicionais em termos de uso de antibióticos nas cadeias de produção animal.
O lado brasileiro admite que existem problemas, mas estranhou a atitude europeia sem resposta prévia às garantias de controle apresentadas no fim de 2025. “Eles tinham tempo para nos apresentar o que faltava, se existiam dúvidas. Não tiveram a boa relação de nos dizer que estava faltando e dar prazo para solucionar”, ressaltou a fonte na Europa.
As garantias sugeridas são controles que demonstram que o produto não foi tratado com antibióticos desde o início da vida animal. Na cadeia do frango, por exemplo, que é mais curta, a comprovação tende a ser mais simples. A característica da produção nacional, em boa parte feita em sistema de integração, em que a empresa fornece todos os insumos para o avicultor, também facilita a comprovação.
“O esforço é para minimizar o dano até setembro. Entendemos que a carne bovina tem um processo mais complexo e demanda esforço maior que outras proteínas”, concluiu a fonte.







