Reconhecendo a diversidade cultural como princípio pedagógico, a educação indígena tem avançado no Tocantins como instrumento de valorização, inclusão e garantia de direitos. No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, o Governo do Estado evidencia as ações que constroem a educação indígena a partir das identidades, línguas e tradições dos povos originários tocantinenses.
As iniciativas são desenvolvidas por meio do Programa de Fortalecimento da Educação (PROFE Indígena), que amplia o alcance das políticas públicas educacionais para as oito etnias do Tocantins: Karajá, Karajá-Xambioá, Javaé, Xerente, Krahô, Krahô-Kanela, Apinajé e Avá-Canoeiro. Dentre as principais ações implementadas estão a alfabetização bilíngue, a produção de material didático específico, formação para os servidores, os processos seletivos para professores e gestores indígenas, além de investimentos contínuos na infraestrutura das unidades escolares.
A rede estadual atende atualmente 6.329 estudantes indígenas, distribuídos em 96 escolas e 38 extensões localizadas em aldeias vinculadas às Superintendências Regionais de Educação de Gurupi, Pedro Afonso, Miracema, Paraíso do Tocantins, Tocantinópolis e Araguaína.
A secretária de Estado da Educação, Celestina de Souza, destaca que a política educacional indígena parte do reconhecimento da escola como espaço de aprendizagem, equidade e construção de oportunidades.
“Garantir a qualidade da educação indígena é muito mais do que assegurar o acesso, mas valorizar os saberes tradicionais, respeitar os territórios e dar as condições para que os estudantes de cada povo possam aprender fortalecendo suas identidades e suas raízes. E essa construção acontece com a representatividade de cada povo, fortalecendo a gestão da educação que se baseia no respeito e na equidade”, enfatiza.
Material didático específico
Com o PROFE Indígena, o Governo do Estado vem implementando ações pedagógicas e estruturais pensadas a partir das realidades culturais e linguísticas de cada povo. Entre os avanços da política educacional está a produção inédita de material didático específico para a educação indígena.
Os livros estão sendo produzidos nas línguas maternas de cada etnia, totalizando em 24 volumes destinados aos estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Os conteúdos abordam práticas culturais, conhecimentos tradicionais, atendendo a uma demanda histórica das comunidades indígenas por materiais pedagógicos alinhados às suas realidades.
Infraestrutura
Os investimentos em infraestrutura também têm transformado o cotidiano escolar nas comunidades indígenas. Em 2025, três unidades foram contempladas com obras estruturais que somam cerca de R$ 2 milhões em investimentos. A Escola Estadual Indígena Sakruiwẽ, localizada na Aldeia Funil, em Tocantínia, recebeu novo bloco de salas de aula e revitalização completa da estrutura, com investimento de R$ 389 mil.
Na Aldeia Salto, também em Tocantínia, a Escola Estadual Indígena Waikarnãse passou por reforma e ampliação, incluindo a construção de refeitório com cozinha, garantindo mais conforto e acessibilidade para estudantes e profissionais. Já a Escola Indígena Hery Hãwa, situada na Extensão Otxiri, do povo Karajá, em Lagoa da Confusão, ganhou novo bloco escolar e ampla reforma, totalizando R$ 975 mil em recursos aplicados.
Concurso e processo seletivo
O fortalecimento da educação indígena Tocantins também é reconhecido na ampliação da representatividade dos povos originários na rede estadual de ensino e valorizam a atuação das próprias comunidades nos espaços educacionais. Como parte dessa política de valorização, o concurso público da Educação assegurou 230 vagas para o cargo de Professor da Educação Básica Indígena.
Neste ano, o Governo do Estado realizou o Processo de Seleção para a Função Pública de Diretores de Unidades Escolares Indígenas, alinhado às diretrizes da Política Nacional de Educação Escolar Indígena. Ao todo, 22 candidatos foram aprovados no processo seletivo, reforçando a representatividade das etnias tanto na condução das unidades escolares quanto nos processos pedagógicos, em uma gestão educacional construída com participação direta dos povos indígenas.







