A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou a estimativa de processamento de soja no país em 2026, para o recorde de 62,2 milhões de toneladas. Esse volume representa um incremento de 1,1% em relação à estimativa divulgada anteriormente e um aumento de 6% em relação ao total processado em 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (16/4) pela Abiove.
O aumento é impulsionado pela robustez da safra e pela demanda crescente por derivados da soja, segundo a entidade. “O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro”, afirmou em relatório Daniel Furlan Amaral, diretor de economia e assuntos regulatórios da Abiove.
A produção de farelo de soja foi revisada para 47,9 milhões de toneladas, também com incremento de 1,1% em relação à estimativa anterior. Em comparação com 2025, a produção de farelo deve crescer 6,8%.
A produção de óleo de soja, por sua vez, é estimada agora em 12,5 milhões de toneladas em 2026, aumento de 1,2% em relação à estimativa anterior, e 4,8% acima do volume registrado no ano passado.
Os dados de fevereiro de 2026 confirmam o desempenho mais forte, com o processamento de 3,546 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 8,5% em comparação a fevereiro de 2025.
No acumulado do primeiro bimestre, o processamento foi de 7,421 milhões de toneladas de soja, aumento de 6,4% quando comparado ao mesmo período do ano passado.
Receita com exportação deve cair
A receita com exportações do complexo soja no Brasil terá retração de 3,2% em 2026, em comparação com o ano passado, atingindo US$ 51,18 bilhões, segundo a Abiove.
A queda está relacionada à expectativa de preços mais baixos da soja em grão e do farelo de soja neste ano. A entidade estima uma queda de 8,1% no preço médio da tonelada de soja em grão exportada em 2026, chegando a US$ 370, e queda de 11,7% no preço médio do farelo, para US$ 300 por tonelada. Para o óleo de soja, a expectativa é de incremento de 7,3% em 2026, para média de US$ 1.140 por tonelada exportada.
Em volume, as exportações do complexo soja devem ser maiores em 2026, totalizando 139,75 milhões de toneladas, o que equivale a um crescimento de 5,2% em relação ao total registrado em 2025.
A Abiove projeta exportação de 113,6 milhões de toneladas de soja em grão em 2026, aumento de 5% em relação a 2025. Para o farelo de soja, a entidade prevê embarques de 24,6 milhões de toneladas, com crescimento de 5,6%. Já as exportações de óleo de soja devem crescer 13,7% em 2026 em volume, para 1,55 milhão de toneladas.
Preço descontado
Em março, segundo a Abiove, a soja embarcada no porto de Paranaguá (PR) atingiu preço médio livre de impostos (FOB) de US$ 427,28 por tonelada, com alta de 1,31% em relação ao preço pago em fevereiro. Em comparação com a média negociada na bolsa de Chicago no período, a soja brasileira sofreu um desconto de US$ 3,86 por tonelada.
O embarque de óleo bruto de soja também foi feito com desconto de US$ 242,51 por tonelada em relação ao preço médio na bolsa de Chicago. A commodity foi exportada a um preço médio de US$ 1.205,25 por tonelada, em queda de 0,42% no mês.
Já as exportações de farelo de soja fecharam março com preço médio de US$ 351,21 por tonelada, em alta de 4,93%, e com prêmio de US$ 6,89 por tonelada em relação ao preço de Chicago.







