A qualidade do esperma humano pode variar ao longo do ano. Um estudo internacional identificou um padrão sazonal na motilidade dos espermatozoides – característica ligada à capacidade dessas células de se moverem e alcançar o óvulo. Os níveis mais altos foram observados durante o verão, enquanto os mais baixos apareceram no inverno.
A pesquisa foi publicada na revista científica Reproductive Biology and Endocrinology em 21 de fevereiro e analisou mais de 15 mil amostras de sêmen coletadas entre 2018 e 2024. Os participantes eram homens com idades entre 18 e 45 anos que se candidataram a programas de doação de esperma em cidades da Dinamarca e em Orlando, nos Estados Unidos.
Em ambas as populações, os pesquisadores observaram que a proporção de espermatozoides com motilidade progressiva atingiu os valores mais altos em junho e julho e os mais baixos em dezembro e janeiro.
Espermatozoides com motilidade progressiva são aqueles capazes de nadar em linha reta ou em trajetórias amplas, o que aumenta a chance de fertilização.
Como os cientistas analisaram as amostras
Para avaliar a qualidade do esperma, os pesquisadores utilizaram sistemas de análise computadorizada que medem diferentes características das células reprodutivas. Entre os parâmetros avaliados estavam o volume do sêmen, a concentração de espermatozoides e o número de células com motilidade progressiva.
Como o processo de formação dos espermatozoides leva cerca de 74 dias no organismo masculino, os cientistas também investigaram se a temperatura ambiente nas semanas anteriores à coleta poderia explicar as diferenças observadas. No entanto, a análise encontrou pouca evidência de que o clima nas semanas próximas à ejaculação tivesse relação direta com a qualidade do esperma.
Segundo o pesquisador Allan Pacey, da Universidade de Manchester e um dos autores do estudo, o fato de o padrão sazonal permanecer mesmo após considerar a temperatura sugere que outros fatores podem estar envolvidos.
“Isso pode estar ligado a mudanças no estilo de vida ao longo do ano, como alimentação, prática de exercícios ou exposição à luz solar”, afirma, em comunicado. O pesquisador ressalta, no entanto, que esses fatores não foram medidos diretamente no estudo.
Resultados também variaram com a idade
Além da variação ao longo das estações, os cientistas verificaram diferenças associadas à idade dos participantes. A motilidade dos espermatozoides foi mais alta entre homens na faixa dos 30 anos, enquanto valores menores foram registrados em participantes com menos de 25 anos e em homens com mais de 40 anos.
Os pesquisadores também observaram mudanças ao longo dos anos analisados. Na Dinamarca, houve uma queda na qualidade do esperma entre 2019 e 2022, seguida por uma recuperação em 2023. Os autores levantam a hipótese de que alterações na rotina durante a pandemia de covid-19 – como mudanças na alimentação, no nível de atividade física e na organização do trabalho, possam ter influenciado esse comportamento.
Já em Orlando, na Flórida, os dados mostraram uma tendência gradual de melhora na qualidade do esperma entre 2018 e 2024. Os cientistas afirmam que as razões para essa diferença regional ainda não são claras e devem ser investigadas em estudos futuros.
Os autores destacam que pesquisas anteriores já haviam apontado variações sazonais na qualidade do esperma, mas os resultados não eram sempre consistentes entre diferentes países. Para eles, fatores ambientais e hábitos de vida podem influenciar essas oscilações de maneira distinta em cada região.







