A Universidade Federal do Tocantins (UFT) está à frente da articulação de uma nova etapa socioprodutiva solidária no estado, com foco na organização de uma rede voltada à logística, ao abastecimento e à comercialização de produtos da agricultura familiar, agroecologia e economia solidária. A iniciativa está vinculada ao edital Amazônia Viva, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e busca estruturar uma base territorial concreta de grupos, associações, cooperativas e comunidades.
A proposta dá continuidade a uma construção anterior, a Rede Nacional do Comum, e agora assume um caráter mais territorializado, tendo o Tocantins como ponto de partida. Nesta fase, o foco está na superação de gargalos históricos enfrentados pelos produtores, especialmente relacionados ao transporte, à armazenagem, ao beneficiamento e ao acesso a mercados.
De acordo com o coordenador do projeto na UFT, professor Edi Augusto Benini, a iniciativa busca estruturar uma solução integrada e de caráter coletivo: “O diferencial que a gente busca é criar um patrimônio produtivo comum, que seja compartilhado entre diferentes áreas, como a agricultura familiar, a agroecologia e a economia solidária. A proposta é valorizar essa produção, melhorar a renda e organizar um processo produtivo por meio de uma cooperativa integradora do comum”.
Benini explica ainda, que como parte dessa estratégia, está prevista a implantação do Espaço Comum de Inovação e Inclusão Social (ECIIS), um equipamento público vinculado à UFT, voltado ao desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação social e inclusão produtiva. A proposta depende da cessão ou doação de uma área pública pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), no município de Palmas.
A primeira etapa de implantação do espaço prevê a criação de uma Unidade Produtiva Agroecológica Modular, concebida como um entreposto territorial para recepção, organização, beneficiamento inicial, armazenamento e distribuição da produção. A estrutura, de caráter modular e de rápida implantação, deve funcionar como base logística para apoiar agricultores familiares, assentados, comunidades tradicionais e empreendimentos solidários.
Segundo o coordenador, o objetivo é garantir melhores condições de circulação da produção e ampliar o alcance dos produtos. “A gente espera que esse processo traga maior regularidade nas vendas, redução de custos, agregação de valor e também que os produtos cheguem ao consumidor com mais qualidade e a um preço justo. Com isso, é possível aumentar a renda das famílias e reduzir perdas que hoje acontecem principalmente na logística e no transporte”, explica.
Além de apoiar o escoamento da produção, a unidade permitirá organizar fluxos de coleta e distribuição, reduzir perdas pós-colheita e fortalecer a inserção em mercados institucionais, contribuindo para a consolidação de redes territoriais de comercialização.
A proposta integra ainda uma perspectiva mais ampla de desenvolvimento territorial, na qual a UFT atua como articuladora entre diferentes atores sociais. “O papel da UFT é ser um grande articulador, trazendo base teórica e metodológica, dialogando com os diferentes segmentos e contribuindo para a construção de uma rede solidária do comum”, completa o professor.
Como etapa inicial da organização da rede, estão sendo utilizados instrumentos de levantamento de dados junto aos beneficiários, com o objetivo de mapear as condições de produção, logística e comercialização. A iniciativa busca, assim, construir uma base concreta para o fortalecimento da economia solidária no estado, articulando produção, circulação e inclusão produtiva em uma estratégia integrada.







