sábado, 28 de março de 2026.
  • Quem Somos
  • Fale Conosco
  • Política de Privacidade
  • Vídeos
  • Categorias
    • Agricultura e Pecuária
    • Brasil
    • Economia
    • Educação
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Miracema
    • Palmas
    • Política
    • Saúde
    • Segurança
    • Tocantins
  • Quem Somos
  • Contato
PORTAL LJ
Sem resultados
Ver todos resultados
PORTAL LJ
Home Agricultura e Pecuária

“O mundo subestima a ciência do Brasil”

Para o pesquisador alemão Ulrich Köpke, o conhecimento científico é um dos grandes trunfos do país na busca por espaço na agricultura orgânica

Globo Rural por Globo Rural
28/03/2026
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 8 minutos
A A
Ulrich Köpke, pesquisador e professor da Universidade de Bonn, na Alemanha — Foto: C.H. Koepke

Ulrich Köpke, pesquisador e professor da Universidade de Bonn, na Alemanha — Foto: C.H. Koepke

CompartilharCompartilhar

O alto nível da ciência brasileira é um dos grandes trunfos que o país tem para ser um dos líderes globais em agricultura orgânica. E quem diz isso é um dos maiores nomes das pesquisas sobre o tema na atualidade. “Vocês estão na frente”, resume Ulrich Köpke, professor da Universidade de Bonn, na Alemanha, onde ajudou a criar a fazenda experimental Wiesengut, que há 40 anos funciona como um espaço de estudos sobre cultivo orgânico. Integrante de uma série de instituições internacionais, Köpke preside a Sociedade Internacional de Pesquisa em Agricultura Orgânica (Isofar, na sigla em inglês), da qual foi um dos fundadores.

Para ele, o mundo ainda subestima a ciência do Brasil, mas isso não pode limitar o avanço do país no segmento, que movimentou 145 bilhões de euros em 2024 , um recorde. O pesquisador conversou com a Globo Rural em chamada por vídeo poucas semanas antes de embarcar para o Brasil para participar da primeira edição do Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, que o Instituto Brasil Orgânico realizará em Campinas (SP) neste mês.

ARTIGOSRELACIONADOS

Ganho no preço final do algodão acaba sendo acompanhado por um salto nos custos operacionais — Foto: Ampasul/Divulgação

Apesar da alta nos preços do algodão, guerra pode prejudicar demanda

28/03/2026
Hortaliças e outros produtos básicos do dia a dia podem ficar mais caros — Foto: Canva/Creative Commons

Como a guerra no Irã impacta o preço dos alimentos no Brasil?

28/03/2026

Globo Rural: Para muita gente, agricultura orgânica é sinônimo apenas de cultivo sem insumos químicos. É possível dizer que esse conceito já evoluiu e incorporou novos fundamentos?
Ulrich Köpke
: Na história da agricultura orgânica, houve uma decisão veemente de não introduzir nenhum tipo de químico. Mas, com o desenvolvimento recente dos biopesticidas, que ocorreu principalmente no Brasil, já se pôde observar que o termo “bio” aparece em alguns ingredientes que não estão sob o estrito aspecto de um biológico livre de qualquer elemento sintetizado. Nós apresentamos um novo termo, o natural phyotoxic ingredient, ou NPI, que é um pouco diferente dos biopesticidas. Acredito que as portas estão se abrindo para esses ingredientes. O conceito de orgânico está bem definido. Existe uma abordagem de estratégias orgânicas, mas, na agricultura orgânica, elas têm que passar por um processo de certificação. Há uma visão, particularmente entre os mais puristas, de que não se pode praticar a agricultura orgânica “pela metade”. Eu acredito que (o conceito) pode se ajustar em certos aspectos. Um exemplo é o uso de biopesticidas que não tiveram processos ou substâncias sintéticas durante sua produção e formulação.

GR: Qual a sua avaliação sobre o quadro atual do cultivo orgânico no mundo?
Köpke
: Existe um aumento constante, de algo entre 2 milhões e 2,5 milhões de hectares por ano. Em todo o mundo, a produção orgânica certificada já ocupa cerca de 100 milhões de hectares e reúne 4,5 milhões de produtores. Quando comecei a me aprofundar e tentar aplicar uma abordagem científica, a área total de orgânicos na Alemanha era de apenas 4.000 hectares. Hoje, um amigo meu, sozinho, é dono de 3.500 hectares. O desenvolvimento tem sido mais lento no Brasil, porém, com o apoio da estrutura científica e da Embrapa, as condições para os orgânicos avançarem no país são bem melhores (do que as de outros mercados). Sei que vocês têm uma renda mais ou menos desigual se compararmos os diferentes grupos de consumidores. O aumento do consumo depende da renda e também da educação. O preço é outra questão fundamental para o setor orgânico ganhar competitividade. A aceitação dos produtos e a expectativa dos consumidores têm tido um aumento gradual. A produção da agricultura orgânica é menor do que a dos outros segmentos, então, os preços têm que ser mais altos, para se ter a mesma produção. E existe ainda o custo do processo de certificação, que precisa ser pago com a venda do produto.

GR: Segundo o relatório “World of Organic Agriculture 2026”, a agricultura orgânica ocupa 2,1% das terras agrícolas no mundo. A tendência é de aumento da área de cultivo?
Köpke:
 O crescimento constante é uma tendência clara, e é o que vemos também no Brasil. Mas está evidente que a expansão do mercado de orgânicos será direcionada pela demanda, não pela oferta. A discussão é a mesma na análise sobre diversos países: a demanda ficará mais firme à medida que as economias desses países forem melhorando? (Os orgânicos refletem) o desenvolvimento e a riqueza desses países.

GR: Estados Unidos, Alemanha e China são os maiores consumidores de orgânicos no mundo, e a Suíça é a líder em consumo per capita. A expansão ainda é limitada pela renda e se restringe aos mercados mais ricos?
Köpke:
 Não. Veja como foi o histórico do desenvolvimento dos orgânicos na Alemanha. Nós começamos com lojas menores nas décadas de 1970 e 1980. Gradualmente, gerentes de supermercado perceberam que precisavam aumentar sua participação nesse mercado. Hoje, não há supermercado na Alemanha que não ofereça produtos orgânicos, o que significa que você pode encontrar esses produtos mesmo nos mercados de baixo custo. Se eu for a um supermercado de baixo custo hoje e olhar as sacolas das pessoas, eu diria que, na maioria dos casos, elas têm um ou dois produtos com certificação orgânica.

“Por que não oferecer produtos que tenham conexão com a cultura brasileira? Um pão de queijo, um churrasco”

GR: É possível que a produção de orgânicos ocorra em larga escala, como vemos hoje na agricultura convencional?
Köpke: 
Na minha opinião, não há restrição, (mas) também está bastante claro que é preciso atestar a viabilidade econômica em cada fazenda de maneira individual, independentemente do tamanho ou da escala. As condições em cada propriedade são muito diversas. E, assim, é preciso avaliar as oportunidades caso a caso. As condições para aumentar a produção orgânica certamente variam de acordo com a região, e também se deve analisar as condições ecológicas do local. Não existe um sistema homogêneo. É preciso pensar na fazenda como um organismo.

GR: Em quais regiões do mundo a agricultura orgânica mais tem potencial de se expandir?
Köpke:
 Vamos falar sobre o Brasil. Vocês têm o respaldo da ciência, e posso falar disso lembrando de um episódio da minha própria biografia. Quando visitei o Brasil pela primeira vez, em 1980, para participar de uma conferência sobre a relação entre raízes e solo, conheci os principais cientistas dessa área. Nessa passagem, também conheci Johanna Döbereiner, de Seropédica (município onde fica o campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), que descobriu a BNF (fixação biológica de nitrogênio) em uma gramínea e estabeleceu marcos para o desenvolvimento futuro desses estudos. No ano passado, vimos Mariangela (Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja, que ganhou em 2025 o World Food Prize, prêmio que é considerado o “Oscar da alimentação”).
Ela desenvolveu um sistema de aplicação de micróbios para detectar cepas especiais sustentáveis em condições que nunca imaginamos antes. Vocês estão na frente, mas poucas pessoas sabem disso. A ciência brasileira é subestimada em outras partes do mundo.

GR: Por que o senhor diz isso?
Köpke: 
Muitos cientistas comuns de fora do Brasil não sabem o que vocês já fizeram no desenvolvimento dos biopesticidas. O aumento da produção que temos visto nesse mercado começou há dez anos, e, atualmente, há 600 diferentes preparações disponíveis. A aplicação da maioria delas ocorre nas lavouras de soja, porque essa é a cultura predominante no país. O Brasil é líder não só em ciência básica, como também na parceria com os agricultores. O Brasil já tem um serviço de extensão rural, que pode passar a receber treinamentos também sobre estratégias de agricultura orgânica.

GR: Quais são os maiores desafios da pesquisa e do desenvolvimento da agricultura orgânica na atualidade?
Köpke:
 O principal desafio é combinar o aumento de produtividade com ferramentas ambientalmente corretas. A mudança em larga escala desses bio-herbicidas e de outras novas ferramentas que não sejam à base de produtos químicos é o próximo passo, e vejo um bom futuro para isso no Brasil. Se vocês me perguntarem se o Brasil é um ator importante, sim, é, porque o país tem um território muito grande, uma boa formação e um histórico científico. A pesquisa sobre o microbioma é a ponte necessária para se poder entender que a saúde do solo e a saúde humana têm uma correlação direta. O que nós comemos tem influência direta sobre o nosso microbioma.

GR: O que um produtor rural que já trabalha com agricultura orgânica ou que está pensando em investir nessa área pode esperar da ciência?
Köpke:
 Esse produtor tem que entrar em contato com cientistas e profissionais de extensão rural interessado em ter conhecimento. Depois, precisa visitar fazendas que já praticam agricultura orgânica há mais tempo, conversar com esses produtores para aprender. A partir dessas visitas e conversas, o produtor tem que se perguntar: “O que eu posso fazer? Qual a minha perspectiva? O que posso cultivar aqui? Quais cultivos existiam aqui no passado?”. E, então, depois de discutir o assunto, ele tem que se capacitar e buscar respostas para outras perguntas: “Posso usar essas ferramentas? Posso ter um entendimento melhor?”. E ele não pode esquecer que vai precisar de tempo.

GR: A agricultura orgânica poderá substituir a convencional em algum momento? É possível que isso ocorra?
Köpke:
 De certa forma, a agricultura orgânica é um modelo de transição para abordagens sustentáveis. Estou longe de pensar que teremos 100% de agricultura orgânica. Temos que conviver com a diversidade também nas abordagens agrícolas, mas os consumidores decidirão, e, ao longo das gerações, teremos uma transição gradual em direção à abordagem orgânica. Com a evolução que temos visto, acredito que estamos nos aproximando, passo a passo, de uma agricultura orgânica em escala maior, mas como essa mudança não ocorrendo na mesma velocidade em todos os países. E enfatizo: o Brasil tem que ter um papel de liderança nesse desenvolvimento.

GR: Quais as perspectivas que o senhor enxerga, então, para a agricultura orgânica brasileira?
Köpke:
 Se avaliarmos o desenvolvimento da agricultura orgânica sob a perspectiva do mercado, vejo uma tendência dinâmica. Há um forte aumento, um claro progresso. O obstáculo a ser superado é a questão do aumento da biodiversidade nas propriedades de escala maior. Vocês têm as melhores certificadoras, conhecimento, ciência. Também é preciso superar o problema do transporte, encontrar soluções para levar aos mercados um produto fresco, dentro do prazo, e fazer isso sem que ele perca o sabor. No Brasil, há alimentos funcionais à base de orgânicos. Por que não trazer também produtos especiais, que tenham conexão com a cultura brasileira? O país deveria passar a oferecer pão de queijo orgânico, churrasco orgânico.

GR: Para o senhor, que papel cabe ao Brasil no mercado global de orgânicos?
Köpke:
 Vejo isso com muito otimismo. Existe uma demanda grande por frutas e verduras. O Brasil precisa encontrar um nicho em que possa identificar que seu produto é de alta qualidade e foi produzido de forma ambientalmente correta. A carne de alta qualidade (viria) em outro momento. Com o Mercosul, isso vai acontecer, espero que muito em breve.

Anterior

Empresa de sementes é condenada por perda em lavoura que teve seguro negado

Próximo

Como a guerra no Irã impacta o preço dos alimentos no Brasil?

Próximo
Hortaliças e outros produtos básicos do dia a dia podem ficar mais caros — Foto: Canva/Creative Commons

Como a guerra no Irã impacta o preço dos alimentos no Brasil?

LEIA TAMBÉM

Agricultura e Pecuária

“O mundo subestima a ciência do Brasil”

28/03/2026
Agricultura e Pecuária

Empresa de sementes é condenada por perda em lavoura que teve seguro negado

28/03/2026
Palmas

Prefeitura de Palmas publica edital de redistribuição das equipes das UPAs na rede municipal de saúde

28/03/2026
Economia

PF faz operação em 11 estados e no DF para combater preços abusivos em postos de combustíveis

28/03/2026
Política

CPMI do INSS termina sem relatório aprovado, após 7 meses de trabalho

28/03/2026

CATEGORIAS

  • Agricultura e Pecuária
  • Brasil
  • COLUNA DO LEAL
  • Economia
  • Educação
  • Entretenimento
  • Esportes
  • GOL DE PLACA
  • Lajeado
  • Miracema
  • Palmas
  • Papo de Skyna
  • Política
  • Saúde
  • Segurança
  • Tocantinia
  • Tocantinia
  • Tocantins

TÓPICOS

#Palmas #Tocantins #Lajeado 2° Farm Day Athletico COLUNA DO LEAL Copa do Nordeste Copão Tocantins Corinthians covid19 Dengue educação Entretenimento flamengo GOL DE PLACA Inter Lajeado Libertadores Miracema Palmas palmeiras Paris 2024 Política Seleção Brasileira São Paulo Tocantinia tocantins

POPULARES

Segurança

Polícia Militar captura dois foragidos da Justiça em ações distintas em Porto Nacional

28/03/2026
Segurança

Polícia Militar recupera celular e prende suspeito de furto em Pedro Afonso

28/03/2026
Educação

Exato 2026 – 1ª edição – tem últimos dias de inscrições

28/03/2026
Educação

Proest e Prograd promovem mutirão para divulgar o Exato e programas de Assistência Estudantil nas escolas públicas de ensino médio

28/03/2026
Agricultura e Pecuária

Apesar da alta nos preços do algodão, guerra pode prejudicar demanda

28/03/2026
Logomarca Leal Junior

O site que busca sempre a notícia com credibilidade e transparência.

#SIGA-NOS:

MAIS RECENTES

  • Polícia Militar captura dois foragidos da Justiça em ações distintas em Porto Nacional
  • Polícia Militar recupera celular e prende suspeito de furto em Pedro Afonso
  • Exato 2026 – 1ª edição – tem últimos dias de inscrições

CATEGORIAS

ÚLTIMAS

Foragidos capturados foram apresentados na Delegacia de Polícia Civil - Foto: 5º BPM/Ascom

Polícia Militar captura dois foragidos da Justiça em ações distintas em Porto Nacional

28/03/2026
Foto: Divulgação 3º BPM

Polícia Militar recupera celular e prende suspeito de furto em Pedro Afonso

28/03/2026
  • Quem Somos
  • Fale Conosco
  • Política de Privacidade

© 2024 Portal LJ - Todos os direitos reservados.

Sem resultados
Ver todos resultados
  • Categorias
    • Agricultura e Pecuária
    • Brasil
    • Economia
    • Educação
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Miracema
    • Política
    • Saúde
    • Palmas
    • Tocantins
  • Coluna do Leal
  • Gol de Placa

© 2024 Portal LJ - Todos os direitos reservados.

Sem resultados
Ver todos resultados
  • Categorias
    • Agricultura e Pecuária
    • Brasil
    • Economia
    • Educação
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Miracema
    • Política
    • Saúde
    • Palmas
    • Tocantins
  • Coluna do Leal
  • Gol de Placa

© 2024 Portal LJ - Todos os direitos reservados.

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este website está a dar consentimento à utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.