Oficialmente fora da corrida ao Planalto, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), passou a concentrar esforços na escolha do seu candidato à sucessão. Em paralelo, ele elevou o tom contra Sergio Moro (PL), que aparece na dianteira das pesquisas e deve disputar o governo estadual.
Nos bastidores, aliados próximos do paranaense aguardam uma “conversa decisiva” na próxima semana para tentar fechar os nomes que representarão o grupo político nas eleições de outubro.
A sucessão estadual foi um dos fatores que pesou na decisão de Ratinho Júnior de abandonar sua pré-candidatura ao Planalto. A filiação de Moro ao PL e a sinalização do partido de lançá-lo candidato ao governo ampliaram a preocupação no núcleo político do governador.
A avaliação interna é de que o ex-juiz da Lava Jato lidera em diversos cenários e pode ter a candidatura fortalecida na nova legenda.
O governador do Paraná tenta viabilizar seu sucessor por meio da construção de uma chapa de consenso entre aliados. A demora na definição do nome, porém, tem gerado preocupação na base.
Inicialmente, o governador sinalizava preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva. Nos últimos dias, no entanto, o aliado foi informado de que não está mais na disputa, segundo interlocutores do Palácio Iguaçu. Ainda assim, Guto pode integrar a chapa em outra posição — como candidato a vice-governador ou ao Senado, a depender da composição.
Com a saída de Guto Silva do páreo, as articulações passaram a se concentrar em dois nomes: o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD).
Aliados do governador afirmam que Pimentel ainda está em processo de convencimento. A estratégia em torno do nome do prefeito é considerada arriscada. Para estar apto a disputar em outubro, Eduardo Pimentel, que está no começo do mandato, teria que deixar o comando da capital paranaense até 4 de abril.
Curi, por sua vez, avalia deixar o PSD e migrar para o Republicanos como forma de viabilizar a candidatura ao Palácio Iguaçu — movimento que também precisaria ocorrer nos próximos dias, antes do fim da janela partidária. Em conversas recentes, o parlamentar tem sinalizado, porém, abertura para disputar o Senado, a depender do arranjo político liderado por Ratinho.
No grupo do governador, cresce a defesa por unidade para enfrentar o bom desempenho de Sergio Moro. Parlamentares avaliam que a divisão em mais de uma chapa alinhada ao Palácio Iguaçu pode abrir caminho para uma vitória de Moro ainda no primeiro turno.
Outro nome que movimenta o cenário é o do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Após deixar o PSD e se filiar ao MDB, ele passou a articular uma candidatura ao governo estadual. Segundo aliados de Ratinho, Greca resistiu a propostas para compor a chapa como candidato ao Senado.
Os cotados para a sucessão de Ratinho Jr.
- Mencionado desde o início das negociações, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi (PSD), está no seu sexto mandato como deputado estadual. Antes disso, foi vereador em Curitiba.
- Eduardo Pimentel (PSD) está em seu primeiro mandato como prefeito de Curitiba. Ele foi eleito ao posto em 2024. Antes disso, foi secretário do governo de Ratinho e vice-prefeito de Rafael Greca.
- Rafael Greca é outro nome cotado. Ele foi prefeito de Curitiba por três vezes. Também teve mandatos como deputado federal e estadual, além de ter chefiado o Ministério do Esporte no governo Fernando Henrique Cardoso.
Entrada de Moro leva a debandada de prefeitos
A entrada de Moro no PL levou o partido a sofrer um revés no Paraná. Para apoiar o candidato de Ratinho Júnior, prefeitos e até o presidente estadual, Fernando Giacobo, decidiram deixar o partido.
O grupo oficializou o movimento na última quinta-feira (26/3), em um evento na capital paranaense. Os políticos afirmaram que a decisão se tratava de “gratidão” e “coerência”. Cerca de 40 dos 50 prefeitos atualmente filiados ao PL no Paraná devem deixar a legenda.







