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Entenda como o Rio de Janeiro pode ter 4 governadores em apenas 1 mês

Renúncia de Cláudio Castro e cassação de Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Alerj, criaram crise de sucessão no comando do estado

Metrópoles por Metrópoles
27/03/2026
em Brasil
Tempo de leitura: 5 minutos
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A decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) de anular a votação que elegeu Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa (Alerj) voltou a embaralhar a linha sucessória do governo fluminense.


Sucessão em colapso

  • O Rio de Janeiro assistiu à linha sucessória do governo ruir ao longo dos últimos meses.
  • Em maio de 2025, o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado.
  • A saída abriu a primeira lacuna na cadeia de substituição de Castro.
  • Sem vice, o posto seguinte passou a ser ocupado pelo presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
  • A situação, porém, também se desfez: em dezembro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi afastado do cargo e impedido de assumir o governo.
  • Com isso, a responsabilidade recaiu sobre o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, que assumiu interinamente o comando do estado na última terça-feira (24/3), após a renúncia de Cláudio Castro.
  • No ato seguinte, eleito presidente da Alerj, Ruas poderia assumir como governador interino. Mas a Justiça anulou a votação. Couto, então, segue governador interino.
  • Quando for confirmado o novo presidente da Assembleia, o parlamentar ficará apto a ocupar o governo interino — o terceiro.
  • Em paralelo, o Rio também deve passar por uma eleição indireta para escolher um governador para concluir o mandato de Castro. Poderá ser o quarto governador fluminense em pouco tempo.

Douglas Ruas havia sido eleito na quinta, em uma sessão extraordinária convocada pela presidência interina da Casa. A vice-presidente do TJRJ, desembargadora Suely Magalhães, no entanto, invalidou o pleito, devolveu o comando da Alerj a Guilherme Delaroli (PL), que era vice-presidente da Casa, e determinou que a Assembleia aguarde a substituição de Rodrigo Bacellar (União), deputado cassado pelo TSE, antes de realizar uma nova eleição.

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A decisão interrompeu uma tentativa de recompor a linha sucessória do estado. Caso assumisse a presidência da Alerj, Ruas passaria a ocupar o posto seguinte na ordem de substituição do governador e poderia assumir interinamente o Palácio Guanabara após a renúncia de Cláudio Castro — cenário que levaria o Rio ao terceiro governador em poucos dias.

Classificado pelo próprio Douglas Ruas como um momento de “excepcionalidade jamais visto”, o cenário no Rio de Janeiro está longe de se estabilizar. A renúncia de Cláudio Castro obriga o estado a realizar eleições indiretas — com votação restrita aos deputados estaduais — para definir o nome que assumirá um mandato-tampão até a posse do eleito em outubro.

A tentativa de eleger o “terceiro” governador

Tentando evitar vácuo de poder, parlamentares da base de Castro articularam para antecipar a troca no comando da Alerj e, assim, restabelecer a linha sucessória. A estratégia era simples: eleger um novo presidente da Casa que pudesse assumir o governo interinamente.

Em uma sessão esvaziada e marcada por protestos da oposição, os deputados elegeram Douglas Ruas — pré-candidato ao governo — para substituir Bacellar. Com isso, ele herdaria o comando do estado até a realização de uma eleição indireta, na qual os parlamentares escolheriam um nome para o mandato-tampão até o fim do ano.

Se a operação tivesse sido mantida, Ruas seria o terceiro nome a governar o Rio em poucos dias. A decisão do TJRJ, porém, travou o plano.

A desembargadora Suely Magalhães determinou que a Alerj aguarde os trâmites no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para a troca de Rodrigo Bacellar.

Na decisão que cassou o mandato de Bacellar, o TSE determinou a exclusão dos votos do parlamentar e a retotalização, o que pode levar a mudanças em outras cadeiras da Alerj. O procedimento está marcado para a próxima terça-feira (31/3).

Ao Metrópoles, o presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli, afirmou que a Casa não deve recorrer contra a decisão do TJ. Ele sinalizou que a nova eleição para o comando da Assembleia será realizada após a atualização das cadeiras. “Votaremos em breve”, disse.

Parlamentares avaliam que, mesmo com novo pleito, Douglas Ruas segue como favorito.

Quarto governador?

A definição do novo presidente da Alerj é peça-chave para o próximo capítulo da disputa pelo comando do Rio de Janeiro. Quem assumir o comando da Assembleia passará a ocupar a linha sucessória e deverá substituir Ricardo Couto no governo interino.

O novo comandante da Alerj ficará à frente do estado até a realização da eleição indireta, prevista para abril, quando os deputados estaduais escolherão o governador que cumprirá o restante do mandato de Cláudio Castro. As regras do pleito ainda estão em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Caso o eleito na disputa indireta não seja o futuro presidente da Alerj, o Rio de Janeiro poderá ter um quarto governador em um intervalo de poucas semanas.

Aliados de Douglas Ruas defendem que ele assuma a presidência da Assembleia, chegue ao comando interino do estado e dispute o mandato-tampão. Nesse cenário, ele governaria o Rio antes da eleição indireta e poderia tentar permanecer no cargo até o fim do ano, além de concorrer nas eleições de outubro — considerado o desfecho ideal por seu grupo político.

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