A ADM, uma das maiores tradings de commodities do mundo, iniciou nesta semana as operações de sua nova planta de premix em Apucarana (PR), que deve ampliar em 40% a capacidade produtiva no local em relação à unidade anterior no município. Na nova fábrica, a ADM poderá alcançar produção anual de 40 mil toneladas do produto, que é uma mistura de minerais, aminoácidos, vitaminas e aditivos.
“Nossa meta é, nos próximos cinco anos, estar entre as cinco maiores empresas de nutrição animal da América do Sul”, afirma Raphael Bozola, presidente de Nutrição Animal da ADM para América do Sul, ao comentar o potencial do negócio. O executivo não informou o valor do investimento na nova unidade.
A empresa está presente neste segmento no Brasil com oito unidades, das quais seis com foco na produção de ração – Descalvado (SP), São Lourenço da Mata (PE), Primavera do Leste (MT), Inhumas (GO), Canoas (RS) e Rolim de Moura (RO) -, e duas em premix, a de Apucarana e outra em Indaiatuba (SP). A ADM possui ainda um centro de pesquisa e desenvolvimento do segmento, focado em aquacultura, em Aparecida do Taboado (MS).
O premix é um dos componentes da ração animal. O produto que sairá da nova planta abastecerá as unidades da companhia.
A produção da ADM está voltada aos segmentos de peixe e camarão, além de ruminantes (gados de corte e leite), aves, suínos, equinos e coelhos. Em todas as plantas, nas quais trabalham mais de 1,6 mil colaboradores, há produção de itens para todas as espécies. Bozola comenta que a empresa não está mais no segmento de pet food no Brasil.
Com a nova planta, a ADM pretende crescer no mínimo 10% ao ano no setor, de acordo com o executivo. Para atingir a meta de despontar entre as maiores do segmento na América do Sul, a empresa vai fortalecer estratégias comerciais, com profissionais especializados, amplo portfólio e plataforma de dados para análise de mercado e de demanda dos produtores brasileiros, disse Bozola.
O diferencial da companhia para competir com os grandes players que atuam no setor, segundo o presidente da divisão, não necessariamente será o preço do produto, mas a qualidade e os serviços oferecidos. “Temos condições de crescer nas duas áreas (rações e premix) sem grandes investimentos”, pontua.
A ADM ainda não exporta premix, mas vem buscando formas de iniciar as vendas externas do produto. Outros aditivos produzidos nas unidades brasileiras da companhia já são exportados para Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru e Venezuela, além de países da América Central. A ADM também possui uma unidade própria na Colômbia.
“A ideia é dobrar o volume de exportação”, diz ele referindo-se a aditivos, sem detalhar números. “Estamos tentando abrir frentes de exportação para premix”, acrescenta.
O executivo explica que o processo é mais complexo por envolver a opção de mudanças de ingredientes na formulação, uma vez que a indústria exportadora de proteínas tem exigências de requerimentos nutricionais e de segurança avançados. O mercado inicial para esse movimento deve ser a Argentina. Bozola não descarta a aquisição de uma planta própria no país.
Operação
Theo Carvalho, gerente regional de Tecnologia da ADM, diz que a operação na nova fábrica de Apucarana está iniciando com um turno – com capacidade para produzir 15 mil toneladas ao ano -, e há previsão de avançar para três turnos a fim de atingir a capacidade máxima. Há um estudo técnico para expandir a unidade e dobrar sua capacidade para 80 mil toneladas de premix ao ano.
A fábrica conta com tecnologia de rastreamento e mapeamento de todos os ingredientes inseridos em cada formulação de premix e também produzirá formulações personalizadas para criadores, sem risco de contaminação cruzada. Entre os diferenciais da unidade destacados por Carvalho estão maior eficiência de qualidade, sistema de automação integrado, produção em linha horizontal e balança rodoviária: “Temos a melhor tecnologia aplicada no mundo pela ADM para a produção de premix”.
A unidade recém-inaugurada ocupa uma área de 7,5 mil metros quadrados, em um terreno com 30 mil metros quadrados. O grupo fez adaptações em um espaço até então ocupado por outra empresa, projetando a estrutura interna com áreas a serem utilizadas na expansão da operação. A ADM mantinha uma unidade em Apucarana em um prédio alugado, que foi desativada com o início da nova operação.







