Um aumento de 18,86% no preço do diesel, desde o final de fevereiro, impulsionado pelos efeitos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no mercado global de petróleo, levou caminhoneiros e entidades do setor a ameaçarem uma nova paralisação nacional, ainda sem data.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) declarou apoio ao movimento e cobrou providências do governo federal para conter o que classifica como aumentos abusivos.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) lideram as discussões. Segundo o presidente da Abrava, Wallace Landim, conhecido como Chorão, uma assembleia com representantes de diversos estados deu aval para a paralisação.Play Video
O governo federal acompanha a mobilização e reconhece o risco de greve. Na tentativa de aliviar a pressão, o Planalto anunciou, na última quinta-feira (12/3), que iria zerar as alíquotas do PIS e Cofins para o diesel. Apesar disso, o preço do combustível nas refinarias foi reajustado em 11,6% pela Petrobras logo em seguida.
Apoio de parlamentares
O movimento ganhou fôlego com o apoio de parlamentares. O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) defendeu a greve durante discurso em plenário nessa terça-feira (17/3). Durante a fala, ele afirmou que o Brasil está “à beira de uma paralização nacional do transporte de base”.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) também usou as redes sociais para apoiar a mobilização. “Quero deixar claro que qualquer decisão dos caminhoneiros terá meu apoio”, disse. Ele chegou a afirmar que a paralisação começaria nesta quinta-feira (19/3), mas, até a publicação desta reportagem, a data não havia sido confirmada pelas entidades.
Governo federal reage
Nessa terça, o governo federal reagiu à escalada da crise e anunciou medidas para conter a ameaça de paralisação. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, informou que a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar possíveis crimes contra consumidores e contra a ordem econômica após relatos de oscilações nos preços dos combustíveis.
De acordo com o Ministério dos Transportes, o ministro Renan Filho e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, preparam o anúncio de medidas para ampliar a fiscalização do cumprimento do piso mínimo do frete e responsabilizar “infratores contumazes”, que deve ser divulgado nesta quarta (18/3).







