Inspirada no programa Um Milhão de Cisternas, no início dos anos 2000, a Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA) lançará nesta quinta-feira (12/3) um programa com financiamento da Fundação Banco do Brasil para a instalação de placas solares em propriedades da agricultura familiar na região de Borborema, na Paraíba.
Ainda em fase piloto, a iniciativa batizada de Um Milhão de Tetos Solares, pretende garantir o fornecimento de energia solar de até 300 kWh/mês a agricultores familiares de Paraíba, Pernambuco e norte de Minas Gerais.
“Queremos um milhão de tetos solares para que toda a família do Semiárido possa ter energia de qualidade e em quantidade suficiente. E aí, sim, seria um projeto popular, inclusivo, justo para aqueles/as que estão no campo”, afirma, em nota, Adriana Galvão, integrante da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), que atua há 33 anos na região.
Segundo a ASA, o custo com energia elétrica pode comprometer mais de 10% da renda familiar no Semiárido brasileiro, região que tem se destacado pela geração centralizada de energia eólica.
Em outra experiência similar, realizada com assessoria do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), agricultores familiares do município de Esperança já colhem os resultados da instalação de kits de energia fotovoltaica com redução de custos no beneficiamento da produção.
A agricultora Maria das Graças Domingos Vicente foi uma das primeiras a serem contempladas com um teto solar de 300 kWh, tendo instalado mais placas com financiamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) pelo Banco do Nordeste meses depois.
Hoje com 1000 kWh instalados, a agricultora relata uma economia mensal superior a R$ 2 mil. “Ainda não temos autossuficiência, mas a conta de energia reduziu de R$ 2,5 mil para R$ 400,00”, afirma Maria das Graças.
A experiência tem inspirados outros produtores da região, incluindo a construção de uma micro usina de energia solar na comunidade Resiliente do Benefício, também em Esperança, na Paraíba. Segundo a ASA, experiência pretende tornar-se uma referência local na produção e gestão da energia elétrica de forma comunitária.
“Apesar do Semiárido brasileiro, hoje, ser uma das regiões que mais produzem energia renovável a partir dos empreendimentos eólicos e das usinas solares, muitas famílias agricultoras não conseguem, por exemplo, ter uma energia trifásica que permita uma bomba mais potente para fazer sua irrigação”, comenta a agricultora Roselita Vitor Albuquerque, integrante da Coordenação Executiva da ASA.







