A vacinação preventiva contra a cólera volta a ser ampliada no mundo após mais de três anos de restrições provocadas pela escassez de doses.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento recente na produção global permitiu retomar campanhas voltadas à prevenção da doença, estratégia considerada fundamental para reduzir surtos e mortes.
O primeiro país a retomar esse tipo de vacinação foi Moçambique, que enfrenta um cenário delicado após inundações que afetaram centenas de milhares de pessoas. A destruição de sistemas de água e saneamento elevou o risco de doenças transmitidas pela água, incluindo a cólera.
“A escassez global de vacinas nos forçou a reagir aos surtos em vez de preveni-los. Agora estamos em posição mais forte para quebrar esse ciclo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.
O que é a cólera
- A cólera é uma doença bacteriana infecciosa intestinal aguda, transmitida por contaminação fecal-oral direta ou pela ingestão de água ou alimentos contaminados.
- A infecção provoca diarreia intensa e desidratação rápida, podendo levar à morte quando não tratada a tempo.
- A maior parte das pessoas infectadas pela cólera não apresenta sintomas e, em muitos casos, nem percebe que contraiu a doença. No entanto, mesmo nesses casos, a pessoa pode transmitir a bactéria e infectar outras pessoas, que podem ter reações distintas.
- A doença é mais comum em regiões com acesso precário à água potável, saneamento e condições básicas de higiene.
Um lote inicial de 20 milhões de doses começou a ser distribuído para campanhas de prevenção. Parte das vacinas já foi enviada a Moçambique e à República Democrática do Congo, enquanto Bangladesh também deve receber doses em breve.
A distribuição é financiada pela aliança internacional Gavi e operacionalizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
O fornecimento anual da vacina oral contra a cólera praticamente dobrou nos últimos anos, passando de cerca de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões em 2025. Esse aumento foi resultado da ampliação da produção e da colaboração entre fabricantes, organizações internacionais e governos.
Mesmo com a melhora na oferta, a estratégia de dose única ainda deve ser mantida em situações de surto, já que garante proteção mais rápida e permite vacinar mais pessoas. Duas doses podem ser usadas quando houver disponibilidade maior e necessidade de proteção prolongada.
Desafios para conter a doença
Dados recentes indicam mais de 600 mil casos e cerca de 7,6 mil mortes notificadas à OMS em um ano, números que podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Embora tenha havido leve queda nos registros mais recentes, as mortes continuam em patamar elevado.
Especialistas destacam que a vacinação ajuda a controlar surtos e proteger populações vulneráveis, mas não resolve o problema sozinha. Investimentos em saneamento, acesso à água segura, vigilância epidemiológica e tratamento rápido continuam sendo considerados essenciais para reduzir a transmissão e evitar novas crises sanitárias.






