O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quarta-feira (4/2), que “cada gesto de violência é um feminicídio anunciado”. A fala foi feita durante a cerimônia de lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, no Palácio do Planalto.
Também participaram da solenidade os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP); e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“É inaceitável que mulheres continuem sendo espancadas e assassinadas todos os dias sob o olhar de uma sociedade que peca por omissão. Que se cala diante de cenas cotidianas de abuso e violência. É preciso deixar bem claro: qualquer sinal de maus-tratos na rua, gritos na vizinhança, abusos e intolerância no ambiente de trabalho, cada gesto de violência é um feminicídio anunciado”, destacou Lula.
O titular do Planalto defendeu que a luta no combate à violência contra a mulher deve ser feita, principalmente, pelos homens.
“O pacto que assinamos hoje deve ir além das instâncias do Executivo, Legislativo e Judiciário. Lutar contra o feminicídio, e todas as formas de violência contra as mulheres, deve ser responsabilidade de toda a sociedade. Mas, principalmente, e especialmente, dos homens. […] Não basta não ser um agressor. É preciso lutar para que não haja mais agressões”, afirmou Lula.
O presidente também agradeceu a primeira-dama, Janja Lula da Silva, por ter insistido para que ele tratasse o assunto do feminicídio de forma “mais dura”.
Desde o fim do ano passado, Lula passou a endurecer o discurso sobre o papel dos homens na sociedade, na esteira de casos recentes de violência e feminicídio que ganharam repercussão nacional em um ano em que o Brasil registrou recorde de mulheres mortas vítimas desse tipo de crime.
O pacto
O acordo estabelece a integração entre os Três Poderes no compromisso de enfrentamento à violência letal contra meninas e mulheres e busca acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o país, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, com foco no combate à impunidade.
O acordo também prevê compromissos voltados para mudanças na cultura institucional dos Três Poderes, como a promoção da igualdade de gênero, enfrentamento ao machismo estrutural e incorporação de respostas para novos desafios, como a violência digital contra mulheres.
O lançamento da iniciativa vem acompanhado de uma estratégia de comunicação de alcance nacional, guiada pelo conceito “Todos juntos por todas”, que amplia o apelo para além de mulheres e meninas e convoca toda a sociedade — com ênfase na participação dos homens — a assumir um papel ativo como aliado no enfrentamento à violência.






