Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro celebrou a emenda do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que favorecia o Banco Master. Nas mensagens reveladas pela coluna Tácio Lorran, Vorcaro ainda se refere a Ciro como “grande amigo”.
“É um senador. Muito amigo meu”, escreveu o ex-banqueiro, em conversa com a ex-noiva Martha Graeff, ao explicar quem era Ciro Nogueira. “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, completou.
Nas mensagens, ele conta para a ex-noiva sobre a apresnetação de emenda que poderia aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
“Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu. “Se fosse filme, não teria tantos desdobramentos loucos”, completou.
Graeff então celebra. “Whaaaaaat. Wow isso é incrível 🙌. Esse filme seria o ganhador do Oscar”. Na sequência, Vorcaro responde mostrando contentamento. “Kkk todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”, disse.
A emenda apresentada pelo senador, no mesmo dia da troca de mensagens, previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto, no entanto, não foi incluído na redação final aprovada pelo Congresso Nacional.
As mensagens reunidas estão nos documentos que estão sendo analisados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4/3) no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero. A prisão preventiva foi determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O banqueiro já cumpria medidas restritivas em São Paulo, inclusive com o uso de tornozeleira eletrônica.
A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do Banco Master, em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.
Vorcaro é investigado pelos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa dele nega as acusações e diz que o banqueiro não tentou obstruir as investigações.







