O governador em exercício de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), turbinou as críticas feitas por Tarcísio de Freitas (Republicanos) à gestão petista após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela ao chamar o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de “partido narcoafetivo”, nesta segunda-feira (5/1).
No sábado (3/1), Tarcísio já havia alfinetado o partido adversário ao elogiar a ação norte-americana que, violando o direito internacional, atacou a Venezuela e prendeu o ditador do país, Nicolás Maduro.
A crítica de Ramuth, feita durante uma agenda na zona sul da capital paulista, foi encaixada quando ele falava sobre a possibilidade de o estado de São Paulo receber uma leva de imigrantes venezuelanos.
“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas que estão na fronteira a retornar ao seu país, onde ele [o cidadão venezuelano] vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado narcoafetivo, como o PT que nós temos aqui no nosso país. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo. Assim como a gente tinha o regime na Venezuela narcodependente”, disse o político.
Ramuth estará no comando do estado durante as férias do titular do cargo até o dia 11 de janeiro.
“Correta”
Em entrevista a jornalistas, ele disse considerar “correta” a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela, chamou Maduro de “criminoso” e afirmou que é preciso se atentar “aos próximos passos” no país vizinho.
“O que vai valer mesmo são os próximos passos. Como se dará esse novo governo, qual será a atuação e a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e, aí sim, a caminhada para uma democracia de verdade na Venezuela, que é o que a gente espera.”
O governador em exercício foi questionado sobre a possibilidade de que uma medida semelhante seja feita pelos Estados Unidos em outros países, como a Colômbia — Trump disse neste domingo (4/1) que agir na Colômbia parecia “uma boa ideia”. Para Ramuth, se crimes forem cometidos pelo governo colombiano, há possibilidade de uma nova ação.
“A ação que aconteceu na Venezuela foi de buscar um criminoso. Foi uma ação pontual na busca de um criminoso. […] Se identificar [crimes] de outras lideranças, isso [ataque] pode acontecer. Mas o que a gente percebe é que, no fato da Venezuela, foi uma ação mais do que acertada. A gente espera que a Colômbia não tenha que passar por isso, que a população colombiana também não tenha que passar por isso. Apesar de a gente saber que a Colômbia é um narcoestado também, mas tem uma grande população, uma população de bem”, afirmou.
“Demagogia”
O governador em exercício estava acompanhado do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). O emedebista também reforçou as críticas à Venezuela e chamou de “demagogia” a preocupação com a violação ao direito internacional. Pelas regras internacionais, um país não pode atacar o outro da forma como fizeram os Estados Unidos.
“Que direito internacional se pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza, quando você tem um Estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos. É muita demagogia as pessoas virem falar de uma questão como essa, numa situação específica de um país que estava vivendo a base de ações do narcotráfico e colocando toda a sua população em um estado de pobreza e de força pela ditadura”, teorizou Nunes.
O prefeito alegou ainda que é preciso “eliminar os focos aonde se mantém o narcotráfico”, ao comentar sobre a situação da Colômbia.
“O país que tem a conivência com uma grande produção de cocaína e não acontece nada, não é possível que a gente vai ficar achando que isso é normal. Aquele governo tem a responsabilidade de dentro do seu território fazer as ações necessárias para que a gente elimine esse grande tráfico de drogas”, afirmou Nunes.
A fala do prefeito paulistano abraça o discurso do presidente norte-americano que tenta justificar a invasão à Venezuela sob o argumento de que Maduro seria o chefe de uma organização criminosa chamada Cartel dos Sóis — especialistas negam a existência do grupo. Trump também já chamou o presidente colombiano, Gustavo Petro, de “traficante produtor de cocaína”.
Petro tem respondido ao norte-americano. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que chegou ao poder pela luta armada e, depois, pela luta do povo colombiano pela paz”, respondeu o colombiano na rede X.






