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Uso excessivo das redes sociais eleva risco de depressão em jovens

Estudo indica que perda de controle no uso das plataformas está ligada a mais sintomas depressivos em jovens antes dos 16 anos

Metrópoles por Metrópoles
17/03/2026
em Saúde
Tempo de leitura: 3 minutos
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O uso problemático das redes sociais pode aumentar os sintomas depressivos em adolescentes mais jovens, segundo um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Miguel Hernández de Elche, na Espanha. Os resultados indicam que esse efeito aparece com mais força antes dos 16 anos e tende a diminuir conforme os jovens envelhecem.

A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports em 1 de dezembro de 2025 e analisou dados de 2.121 estudantes do ensino médio da Comunidade Valenciana.

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Os participantes responderam ao mesmo questionário em dois momentos, com intervalo de um ano, o que permitiu aos cientistas observar como o comportamento nas redes sociais se relacionava com mudanças na saúde mental.

De acordo com os autores, o principal fator associado ao aumento dos sintomas depressivos não foi simplesmente o tempo gasto nas plataformas, mas sim um padrão de uso caracterizado pela perda de controle e pela necessidade constante de permanecer conectado.

“O verdadeiro risco não é apenas quanto tempo os adolescentes passam nas redes sociais. O fator decisivo é o uso problemático, quando os jovens perdem o controle sobre o comportamento online e sentem uma forte necessidade de continuar conectados”, explica o pesquisador Daniel Lloret-Irles, líder do estudo.

No estudo, esse padrão foi definido como um envolvimento excessivo com as redes sociais que passa a interferir no funcionamento pessoal ou nas relações sociais. Os adolescentes que apresentaram esse comportamento tinham maior probabilidade de relatar sintomas depressivos mais intensos um ano depois.

Adolescência inicial parece ser período mais sensível

Os resultados mostram que a relação entre redes sociais e sintomas depressivos muda ao longo da adolescência. Entre jovens de 13 anos, um uso mais intenso das plataformas esteve associado a níveis mais elevados de depressão.

À medida que os participantes envelheciam, essa relação foi ficando menos evidente. Por volta dos 16 anos, o aumento da frequência de uso das redes sociais já não estava mais ligado ao agravamento dos sintomas.

Para os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao próprio desenvolvimento emocional. No início da adolescência, habilidades como regulação emocional e autocontrole ainda estão em formação, o que pode tornar os jovens mais vulneráveis a experiências negativas online.

Diferenças entre meninos e meninas

O estudo também identificou diferenças relacionadas à visibilidade nas redes sociais. Entre as meninas, ter mais seguidores esteve associado a maior presença de sintomas depressivos. Entre os meninos, essa relação apareceu como neutra ou levemente protetora.

Segundo a pesquisadora María Blanquer-Cortés, primeira autora do estudo, esse resultado pode estar ligado a pressões sociais e padrões estéticos que costumam afetar mais as meninas nas plataformas digitais.

“Os adolescentes que já se sentem pior emocionalmente são os mais afetados”, afirma a pesquisadora.

Os autores destacam ainda que jovens com maior vulnerabilidade emocional tendem a sofrer mais os efeitos negativos do uso problemático das redes sociais. Quem já apresentava sinais de depressão no início da pesquisa tinha maior probabilidade de manter ou intensificar esses sintomas ao longo do tempo.

Para os pesquisadores, estratégias de educação digital podem ajudar a reduzir esses riscos. Orientar adolescentes sobre privacidade, exposição online e uso equilibrado da tecnologia é apontado como uma medida importante para lidar com os desafios das redes sociais.

“Dar um smartphone a adolescentes sem ensiná-los a usá-lo de forma responsável é arriscado. Assim como ensinamos os jovens a dirigir antes de terem um carro, precisamos ensiná-los a lidar com a tecnologia digital”, afirma María Blanquer-Cortés.

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