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Home Agricultura e Pecuária

Tomate e café ficam mais caros e puxam a inflação em janeiro; entenda

Alta dos preços dos alimentos desacelera, mas efeito é temporário, dizem especialistas

por Globo Rural
24/01/2025
em Agricultura e Pecuária
Tempo de leitura: 6 minutos
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) do mês divulgado nesta sexta-feira (24) mostrou uma desaceleração na prévia da inflação de janeiro, graças à queda em energia elétrica e a uma alta mais contida das carnes.

Por outro lado, os preços dos alimentos continuam pesando nos bolsos dos consumidores, com destaques para a inflação do tomate (17,12%) e do café moído (7,07%). A subida nos preços do tomate é temporária, ao contrário do café. Entenda os motivos.

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Preços do tomate

Os preços do tomate apresentaram quedas importantes no segundo semestre de 2024 devido à oferta abundante do produto no mercado interno. Essa baixa nos preços prejudicou os produtores, que venderam os tomates com prejuízo nos últimos meses, diz João Paulo Bernardes Deleo, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).


“O clima favoreceu muito a produção, gerando excesso de demanda. O produtor gasta de R$ 45 a R$ 50 para produzir uma caixa de tomate, mas passou a vender abaixo do custo de produção por causa da oferta excessiva”, afirma Deleo. Situação semelhante foi observada na produção de cenoura e repolho.

Em janeiro, o que houve foi um ajuste nos preços do tomate com a redução da oferta do produto devido ao fim da safra. “Ter alta no preço não significa que está caro”, acrescentou Deleo. O pesquisador do Cepea considera que, devido aos prejuízos do ano passado, os produtores de tomate estão descapitalizados e tendem a reduzir a área cultivada neste ano. Se essa tendência se confirmar, os preços do tomate devem se valorizar nos próximos meses.

“O preço do tomate subiu 17,12%. E vai subir mais, pelo menos até março. É sazonal”, avaliou Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners.

Café mais caro

Os problemas climáticos que reduziram a oferta mundial de café e o aumento das exportações brasileiras do grão contribuíram para a maior inflação do café no Brasil.

No país, há preocupação com o desenvolvimento das lavouras de café. Nessa semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a safra do grão ficou em 54,2 milhões de sacas de 60 quilos em 2024, redução de 1,6% em relação ao ano anterior. Analistas esperam uma nova queda na produção em 2025 por conta do clima. As chuvas atingiram as lavouras no fim do ano, mas as árvores ficaram estressadas pelo calor e tiveram dificuldade de converter a floração em boa carga de frutos.

Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), observa que no mercado internacional também há sinais de perdas nas safras de café do Vietnã e da Indonésia, o que tem pressionados os preços do café no exterior. Por enquanto, a expectativa é de uma relação de oferta e demanda apertada no Brasil e no mundo, o que sustentará os preços mais altos do café.

Alívio em carnes

Na contramão do tomate e do café, as carnes apresentaram desaceleração nos preços de 5,98 pontos percentuais, passando de 7,91% para 1,93% de dezembro para janeiro. Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, observa que só essa diferença contribuiu com 0,78 ponto percentual para a desaceleração do grupo alimentação e bebida e com 0,13 ponto percentual para o índice geral.

Economistas esperavam que a desaceleração nos preços das carnes ocorressem nos próximos meses, mas houve uma antecipação para janeiro.


Preocupação futura

Para Fabio Silveira, sócio diretor da MacroSector Consultores, a desaceleração da inflação em janeiro não é motivo para comemoração. “Olhando para frente, a gente tem uma alta importância do câmbio, que vai impactar nos preços dos combustíveis fósseis e vai acabar mais adiante exercendo pressão altista sobre o preço da energia”, afirma Silveira.

O economista acrescenta que os preços de algumas commodities agrícolas sobem, como café e milho, com impacto já visível no atacado.

Inflação geral

O IPCA-15 apresentou uma alta de 0,11%, abaixo da taxa de 0,34% apresentada em dezembro, tendo como maiores influências os grupos de alimentação e bebidas, com aumento de 1,06%, e transportes, que subiu 1,01%. De nove grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), oito apresentaram alta no mês, preocupando economistas.

A maior pressão de baixa veio da queda de 3,43% na habitação, graças sobretudo à queda de 15,46% do item energia elétrica residencial, com a incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas este mês.

Para os economistas, a desaceleração do índice geral de inflação foi resultado de questões sazonais. A tendência é de inflação mais alta neste ano. O Boletim Focus mais recente divulgado pelo Banco Central aponta para um IPCA de 5,08% em 2025.

“O IPCA-15 de janeiro traz um alerta claro: a inflação segue mostrando sinais de persistência, com serviços subjacentes subindo em ritmo acelerado, acima das projeções. Isso indica que os desafios estão espalhados por diferentes setores da economia, indo além dos alimentos. Com as expectativas inflacionárias ainda desancoradas e a atividade econômica mostrando resiliência, o Copom não deve hesitar em intensificar o ajuste monetário”, afirmou Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.

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